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  • Entrevista completa para a The Observer Magazine:

Apesar de a rotularem como uma diva com ares de loira burra, Mariah Carey é uma das cantoras Pop de maior sucesso da história. Aaron Hicklin descobre que a estrela possui uma incrível habilidade de autoconhecimento e um humor ágil.

Eu gostaria de dizer algo a favor de Mariah: ela me faz rir. Ela ri de si própria – riu durante toda a nossa conversa, como se estivesse fazendo o possível para evitar se levar muito a sério. Ela disse que vai acordar desse jeito no meio da noite – rindo. Claro que isso faz parte da imagem que Mariah cultiva. É parte de sua magia, também. “Querido, eu terei sempre 12 anos de idade”, ela não gosta muito quando o assunto é sua idade. “Eu vou dar ela a você”, apontando e estalando os dedos para um vaso de flores. “Preparado?” E ela faz uma voz de uma garota de 12 anos de idade – “Oi” – piscando os olhos com uma timidez adolescente.

Mariah adora esse estilo. Sua primeira e mais forte influência foi Marilyn Monroe, e você não precisa passar muito tempo com ela para perceber como a semelhança é grande. Quando eu noto o anel de brilhantes em formato de borboleta em seu dedo, ela estende a mão teatralmente, como se fosse uma caricatura da personagem Lorelei Lee, interpretada por Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem As Loiras”. “Este é um Van Cleef e está faltando um diamante, e isso me deixa chocada”, ela disse dramaticamente, antes de soltar: “Chocada e espantada – estou muito triste agora, Aaron, eu preciso te contar”. Ela finge atirar o anel no outro extremo da sala, antes de advertir como isso deve sair na revista: “Está faltando um diamante”. Ela o atira em um sofá. “Ali, eu fiz isso, então agora você pode dizer que eu o fiz”.

Mariah associa sua obsessão por Marilyn à sua infância, quando ela recebeu uma cópia da biografia da atriz de presente de Natal. “Eu não tinha mais do que 10 anos”, ela disse. “Eu era uma criança leitora, acredite você ou não”.

– Por que eu deveria duvidar disso?

“Isso não tem muito a ver com uma imagem de loira burra, eu acho. Eu tenho tantas virtudes!” Ela cai no riso, e eu pergunto se esta imagem – de não ser muito inteligente – a deixa frustrada. “Não. Eu flerto e brinco com isso. Se isso irrita alguém, não tem importancia”.

– Marilyn Monroe foi super inteligente, eu aposto.

“Marilyn estava lendo Nietzsche enquanto gravava Something’s Got To Give”, Mariah responde. “A Marilyn Monroe Productions foi a primeira companhia de produção de uma mulher em Hollywood. Ela foi pioneira e abriu o caminho para as mulheres em Hollywood, e toda mulher do mundo deve algo a ela por isso, quer ela concorde e goste de sua imagem ou não”.

É tentador associar algumas das batalhas de Mariah Carey, em sua vida pessoal e dentro da indústria do entretenimento, com as de seu ídolo. No caso das duas, sua pessoa pública serviu como disfarce para uma compreensão que vai muito mais além de suas circunstâncias do que é dado crédito de fato. Assim como Marilyn, Mariah sofreu com as formas que a indústria do entretenimento tenta controlar todas as mulheres. Em 2005 ela disse à revista Allure que durante seu casamento de cinco anos com o empresário e executivo da Sony Music, Tommy Mottola, que ela “queria que alguém viesse e me sequestrasse naquela época. Eu costumava fantasiar sobre isso. Eu levava meu caderno de anotações junto comigo o tempo todo no caso de precisar fugir”. Foi Mottola também quem causou as músicas mais sentimentais e melosas de Mariah, com álbuns como Music Box (de 1993) e Daydream (de 1995), resistindo às suas ofertas de explorar outros ares no Hip Hop e no R&B. Ela foi a artista que mais vendeu nos anos 90, mas raramente do jeito que ela gostaria. Quando conseguiu fazer as coisas do seu jeito – como quando convidou Ol’ Dirty Bastard, do Wu-Tang Clan, para fazer o rap no seu hit “Fantasy”, de 1995 – os resultados foram inspiradores, mas foi somente no álbum Butterfly, após o divórcio em 1997, que Mariah pode ser ouvida como gostaria.

O sacrifício de todos esses anos deve ter sido imenso. O primeiro álbum, Mariah Carey, foi lançado em 1990, gerando quatro singles número um nos EUA. Ela passou a ser uma máquina de fabricar hits desde então, lançando álbuns a aproximadamente cada 1 ano e meio e, geralmente, polindo sua reputação de mulher de maior sucesso no pop em todos os tempos. Esta frase bastante usada sobre ter eternamente 12 anos de idade não é apenas vaidade. É sua válvula de escape. “Quando criança, eu fiz este pacto”, ela disse, relembrando um incidente da sua complicada infância em Long Island. “Houve um tipo de discussão entre a minha mãe e um cara que ela estava namorando, e de alguma forma eu acabei me metendo nisso – Eu tinha uns oito ou nove anos, e disse: ‘Eu nunca vou esquecer de como é ser criança, como se eu não pudesse ser vista ou ouvida’. É tão difícil quando a sua opinião parece não ter importância, como se seus sentimentos não fossem reais”.

Também foi durante a infância que Mariah descobriu sua voz. “Eu comecei a cantar assim que aprendi a falar”, ela disse. “Minha mãe estava fazendo Rigoletto – ela é do centro-oeste, mas ganhou uma bolsa de estudos em Julliard e veio para Nova York – Esta jovem menina que usava shorts lá em cima conheceu meu pai, que ela pensou que era Yul Brynner, dirigindo um Porsche – Não havia muitos homens negros e carecas dirigindo Porsches, e ele era legal.” O casamento durou três anos, e Mariah passou a infância lidando com as questões raciais, nem branca o suficiente, nem negra o bastante, para pertencer completamente a qualquer lugar. “Pertencer a duas raças é tanto parte de quem eu sou que é quase um: ‘Aquela fase já passou’”, ela disse. “Já está enraizado em mim. Eu acho que vários dos meus fãs se identificam comigo porque se sentem diferentes”.

Ela tem sua própria família agora. Mariah é mãe dos gêmeos Moroccan e Monroe (do seu segundo casamento, em 2008, com Nick Cannon, cuja página do Wikipedia classifica como ator, comediante, rapper, empresário, produtor musical e personalidade do rádio e da TV). “Tirá-los de perto de mim é tão difícil”, Mariah disse. “É um amor incondicional, e eu nunca pensei em mim como mãe – nunca”. Por que não? “Eu me lembro, quando criança, de falar: Eu nunca vou me casar. Eu nunca serei mãe’. O problema é o seguinte: Eu seria uma pessoa melhor se os meus pais tivessem continuado casados? De jeito nenhum. Eles eram péssimos juntos, mas sempre tem o lado bom. Eu tive uma ótima infância em alguns aspectos – e isso é uma coisa maravilhosa para se dizer – mas eu também passei por maus bocados, porque eu era a zeladora da família, e ainda sou, como se isso tivesse começado muito antes de eu ter qualquer dinheiro”.

A explicação que Mariah da para querer comprar o piano de cauda que foi de Marilyn Monroe, em um leilão em 1999, é convincente. “Este foi o único pedaço de infância que ela nunca teve”, ela disse. “Foi muito importante para ela encontrar algo para se agarrar”.

O motivo pela qual Mariah construiu uma grande e recompensadora amizade com o diretor Lee Daniels, que a colocou no filme “Precious”, de 2009, é que ambos podem se conectar através de suas complicadas infâncias; ambos cresceram como estranhos no ninho. “Ele traz à tona essa colegial que existe em mim”, ela ri. “As pessoas não deveriam perder a sua criança interior, mas todo mundo perde”.

A criança interior de Mariah brinca melhor com a plateia do que as outras. No OUT 100 Awards, que rolou em Nova York, em Novembro do ano passado, ela ganhou aplausos e gritos de milhares de homens gays reunidos para apreciá-la dar um prêmio a Lee Daniels.

“Eu sou uma garota heterossexual – eu realmente não sei por que eles me pediram para vir aqui – mas os meus seios já sairam do armário há anos”, ela brincou, imitando uma drag queen enquanto balançava um leque preto. Por outro lado, ela estremece lembrando de uma aparição com Daniels no Palm Springs Internacional Film Festival, em 2010. “Nós não sabíamos para onde estávamos indo, mas a platéia era bastante conservadora”, ela lembra, citando Sean Penn, Sidney Poitier e Clint Eastwood entre os participantes. “Lee me chama de gata, e eu o chamo de algodão: isso é só uma brincadeira privada, mas que no palco, com champagne, o mundo todo ficou: Que merda é essa? nós não entendemos a piada”. Esta aparição foi uma das várias que rotineiramente são usadas para questionar a sanidade de Mariah.

A mais notória delas foi uma aparição não planejada no programa TRL (Total Request Live), MTV, em Julho de 2001, quando Mariah surpreendeu o VJ Carson Daly ao empurrar um carrinho de sorvete e tirar sua camiseta para dar de presente à ele e se insinuando. Este incidente, no qual ela disse à plateia: “Eu só queria um dia livre em que eu pudesse nadar, chupar um picolé e admirar arco-íris” foi amplamente visto como único na carreira de Mariah. Ela foi hospitalizada por exaustão uma semana depois. Isso foi pouco antes do lançamento de álbum “Glitter”, no dia 11 de Setembro – A trilha sonora do seu filme semi-biográfico. As severas críticas que o filme e a trilha sonora receberam balançaram sua carreira e causaram a anulação do seu contrato de 100 milhões de Dólares, para 5 álbuns, com a Virgin Records.

Mesmo agora, com a carreira de Mariah voltando aos trilhos – seu álbum de 2005, “The Emancipation Of MiMi”, apagou com facilidade o fantasma de “Glitter” – a internet é um ninho de cobras quando o assunto é ‘os momentos mais insanos de Mariah’. Em 2008, o site de relacionamentos feminino Jezebel – normalmente uma comunidade de indignação por atos de humilhação que as mulheres se submetem – ressuscitou o vídeo do TRL com o título de “Lembra quando Mariah Carey ficou louca?” Mas para toda essa coisa de tentar acabar com a imagem de boazinha, a aparição fez Mariah mais agradável e verdadeira. Quem nunca sentiu que tudo está passando dos limites? Quem nunca, no fundo dos seus corações, não daria tudo pra passar um dia nadando e chupando picolé?

Na suíte do hotel onde eu conheci Mariah, com um arranjo de rosas brancas de ótimo gosto, uma vela estilosa e as garrafas de prosecco, é difícil dizer se ela está ou não sendo formal nesta noite. Ela fala de uma só vez, mudando de assunto no meio das frases, me forçando a manter o ritmo de sua conversa. Em um momento ela fala sobre sua modulação vocal (“É assim que eu alcanço aquelas notas, porque eu aprendi a manipulá-las de alguma forma”), e no outro ela está ajeitando a parte de trás do seu vestido.

“Os zíperes nestes vestidos”, ela diz, cheia de trejeitos e sorridente. “Eles os fazem e então eles quebram; e não faz diferença o quanto você paga por eles, eles sempre quebram. Tinha uma costureira lá, mas ela já havia ido embora; Eles tiveram de chama-la de volta – Natalia, lá da Itália. Então demorou um minuto para que a gente resolvesse isso e todo mundo voltasse ao trabalho, e aqui estamos nós, Aaron – eu sinto muito, de verdade”.

Eu demorei um pouco para entender que toda essa explicação a respeito do problema com a roupa foi a justificativa dela para o seu atraso de três horas, uma desculpa familiar para quem já a entrevistou antes.

Outros treze jornalistas foram alinhados atrás de mim para conversar com ela naquela noite, uma verdadeira correria de chavões e frases de efeito, que girava a respeito do lançamento do seu 14º álbum, formalmente conhecido como “The Art Of Letting Go” e ainda sem título. Tinha-nos sido prometida uma reprodução exclusiva dele antes de encontrarmos com ela, mas os longos atrasos e os falsos vazamentos nos fizeram acreditar que não havia álbum para tocar. Em vez disso, nós ouvimos três músicas, todas já lançadas: “#Beautiful‬, um dueto com Miguel, “The Art Of Letting Go” e “You’re Mine (Eternal)”, lançada no dia dos namorados. Nenhuma dessas canções foi capaz de traçar um caminho de forma correta, e os problemas de lançamento do álbum deram vazão a rumores de questões adjacentes muito mais profundas.

A carreira pós-Mottola de Mariah é distinguida por grandes hits e outros nem tanto, mas atualmente está na coluna de hits modestos de curta duração. O último álbum de Mariah, “Memoirs Of An Imperfect Angel”, vendeu somente 2 milhões de cópias no mundo inteiro, comparado aos 12 milhões de “The Emancipation Of Mimi”, que recebeu oito indicações ao Grammy (e ganhou três delas).

Mariah insiste que agora só quer saber de fazer a coisa certa. “Eu quero que o álbum seja ouvido e sentido como um todo”, ela disse. “Eu não quero me acomodar tipo: ‘Olha, aqui está outro lançamento no iTunes’ e tudo mais. No passado, eu deixei as pessoas – como é que posso dizer? – ditar o que eu podia ou não fazer, ou seja, e se eu não gostar de alguma coisa? elas não se importavam. Eu ouvia as pessoas – Eu ficava tipo: Legal, beleza, faça o que quiser.’ Então agora eu só estou sendo inflexível”.

Mas será que Mariah se sente realmente ansiosa, agora que, aos 44, ela pode a qualquer momento ter que lidar com o desafio que é a fixação da cultura pop com a juventude, completamente mais cruel com mulheres do que com os homens? Quando eu digo que ela foi uma Pop Star por 25 anos (seu primeiro single número um nos EUA foi “Vision Of Love”, de 1990) Mariah entra em modo Eartha Kitt (atriz e cantora que sofreu de crise de identidade até sua morte). “Primeiro de tudo, não arredonde para cima”, ela adverte. “Se você arredondar, que seja pra baixo!” Lá está aquela risadinha novamente. Ela continua: “Eu não conto os anos, mas eu definitivamente os censuro – Eu faço aniversário, não anos de esperiência, porque eu celebro a vida, querido”.

Meio que percebendo que isso é um pouco demais para uma caricatura de diva, ela complementa: “Por favor, coloque um “LOL” perto disso, porque as pessoas vão ficar tipo: Que merda é essa?”

É claro que não há uma regra estabelecida de que um artista deve encontrar um jeito de vender milhões de álbuns. A heroína musical de Mariah, Aretha Franklin, não teve um grande álbum até “Who’s Zoomin’ Who?”, lançado em 1985, quando Aretha tinha 43 anos, e o seu último single significativo comercialmente foi o dueto com George Miguel, “I Knew You Were Waiting”, de 1987.

Mariah descreve o seu primeiro encontro com Aretha como “conhecer a rainha”. Ela disse que já tinha recebido o elogio real no último Natal, quando ela cantou com Aretha na cerimônia do acendimento da árvore de Natal na Casa Branca. “É claro que eu – como uma idiota – fui lá e cantei, sem guarda-chuva, na chuva – meu cabelo ficou horrível, e eu ainda tive problemas com o meu camarim cantando [o grande hit de Mariah] ‘All I Want For Christmas Is You’”. Mariah canta a letra em sua famosa voz, com todas as suas técnicas vocais, até que começa a rir. Ela continua rindo quando um agente me tira da sala para dar vez ao próximo jornalista. É uma risada genuína, e mesmo depois de sair do hotel eu ainda posso ouvi-la, ecoando nos meus ouvidos.

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