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MC5

O crítico musical e cultural, Carl Wilson, fez um review apaixonante para a carreira de Mariah Carey e para seu mais recente álbum, “Me. I Am Mariah…The Elusive Chanteuse”, para a Slate Magazine. Confira abaixo:

Como uma Mariah Carey incrédula finalmente se tornou uma cantora indescritível.

Mariah Carey realmente me deixa nervoso. Se você é fã, talvez possa parecer bobagem, mas se sua história com ela é ocasional, talvez você possa entender o que quero dizer.

Não é por causa de sua salada verbal ao ser jurada do American Idol no ano passado, e nem por seus vergonhosos momentos na época do “Glitter” e cancelamentos, onde, por um tempo, achamos que ela teria um destino caótico como sua rival, Whitney Houston, e nem por suas mais recentes rotinas domésticas no Instagram.

E nem por sua forma de cantar, embora seja verdade que nem sempre seus loops melismáticos às vezes podem ser somente virtuosos, podendo parecer evasivos, pois ela não se contenta em cantar um trecho somente em uma nota, e sim quer cantar em todas elas.  O título de seu novo CD, “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse”, talvez possa parecer uma grande piada, talvez ela possa estar brincando por causa deste grande atraso em seu lançamento, mas também ela possa estar patenteando o seu melhor estilo poderoso de cantar.

Não, não é o jeito crítico de Mariah Carey que me deixa nervoso, porque durante muitos anos ela era aquele tipo de estrela da música Pop que, por mais que eu não quisesse ouvir, eu era obrigado a saber sobre a sua existência, ela estava em todos os lugares. Eu era ao mesmo tempo, velho e novo demais no início dos anos 90. Ela trouxe qualidades ao showbizz, o seu estilo cativante fez com que os adolescentes ouvissem o Top 40 das rádios adultas mais antigas. Enquanto isto, eu estava saindo da faculdade, estava tocando a minha guitarra dourada, tentando fazer um pouco de Jazz, tentando também fazer um pouco do Country e Soul clássico, que se manteve temporal (apesar de que muitas vezes os mais puritanos não aceitassem isto).

Nunca tinha entrado em minha mente este modelo Pop criado por Carey, com suas táticas sublimes e voz poderosa, eu sei que tinha algo em comum com todos estes artistas. Eu não era a parte podre entre os nerds, os atletas, as líderes de torcida e as futuras estrelas do MBA, e parecia claro que, Mariah Carey estava ligada, com suas estimulações de poder positivo para o crescimento pessoal. Eu sentia que precisa manter a minha posição rígida, ou estaria tudo perdido.

Depois de se separar de seu marido/patrão, Tommy Mottola, em meados dos anos 90, ela começou a ter ajuda dos gigantes do Hip-Hop e cair de cabeça no R&B, colaborando com rappers, abrindo assim uma nova tendência para a nova década do Pop. No entanto, eu olhei ao seu redor e vi que com o tempo, ela aparecia em seus vídeos se redefinindo como a grande diva do Pop, alguém que se contorce em torno de lençóis de seda, como fez com o seu inevitável (e um retrocesso irresistível) hit “Fantasy”, onde a encontrei vocalmente no estilo  Jackson Pollocking com uma nova versão do marco da era Disco, “Genius of Love”, do Tom Tom Club, que na época era uma blasfêmia para mim. Naqueles dias, meu Deus musical era um Deus invejoso e ciumento.

Mariah Carey apareceu pela primeira vez de modo nacional quando cantou “America the Beautiful” em um jogo de basquete, e mais tarde, em meio de seus problemas com o “Glitter”, ela se redimiu um pouco ao cantar o Hino Nacional Norte-Americano no Super Bowl em 2002. Parece-me que Carey foi a cantora que mais se aproximou da música que lançou, como se fosse um hino nacional, independentemente do conteúdo, força vocal que parecia ter um propósito de plantar uma bandeira própria, com uma garantia de auto fidelidade, que de ser certa forma atordoava o seu público com bombas melancólicas no ar e com várias oitavas espalhadas na estratosfera.

Mas em meados da década de 2000, algumas coisas aconteceram que eu pude reconsiderar meu pensamento por ela. Uma simples Mariah Carey tornou-se a cantora mais influente da história dentro e fora do R&B – copiada descaradamente por calouros do American Idol, que em seus primeiros anos poderia ser chamado de America’s Next Top Mariah, e também inegavelmente pavimentou e abriu as portas para Rihanna e Beyoncé. Carey também estava acumulando uma série de sucessos em 1° lugar, superando Elvis e chegando próximo aos Beatles, o que provocou muitos protestos aqui na Slate Magazine, mas sempre foi defendida com unhas e dentes por Jody Rosen por aqui. Começou a parecer obvio que eu estava esquecendo de algo.

Em alguns anos depois, seguindo esta linha de pensamento, eu escrevi um livro inteiro sobre a exploração da dinâmica de gosto e discriminação social, usando Céline Dion como estudo (que foi reeditado na primavera deste ano de forma expandida). Então, me perguntei mil vezes o que poderia ter acontecido se eu tivesse escrito sobre Carey em seu lugar.

Dion me levou a pensar sobre o desprezo crítico sobre o “sentimentalismo” através das lentes da etnia, imigração, sentimentalismo, sexo, e acima de tudo, das classes sociais. Mariah Carey está longe de ser tão CHATA como Celine Dion, ela é uma visão mais divertida. Eu poderia ter focado mais em suas virtudes, grandes gestos e neste seu jeito sem vergonha na música Pop, em vez de seu sentimentalismo.

Também teria sido muito bacana se tivesse abordado sobre os códigos raciais e comercialismo. A coisa que mais se falou na América é sobre a herança genética de Carey, que é uma mistura de branco-afro-latina-mista, ela já levantou o tabu contra ser racialmente não classificada. Eu também poderia dissecar sobre as regras e regulamentos sobre os escândalos da música Pop, onde as virgens e prostitutas poderiam negociar a sua  sexualidade (que Dion prefere ficar em terra firme do que se aventurar). E já que Carey é co-compositora de todas suas canções, em vez de ser somente intérprete, eu poderia analisá-la como uma salsicha e ver deliciosamente como tudo é feito.

Ainda assim, ela compartilhou coisas com dois grandes nomes como Michael e Madonna, nos anos 90, quando eles já não eram tão grandes, e não viveram de cabeça o plano econômico gerado por Bill Clinton. Cada um deles foi casado  ou administrados (Então, no caso de Mariah, divorciada) com pessoas muito mais velhas. Ambos são personalidades fortes, e cronicamente propensas, e acima de tudo, eles servem com seu poder único de ídolos, como se tivessem o seu próprio exercito de elefantes. Dion é uma espécie de órgão de igreja, já Mariah é como um sintetizador digital, mais completa, especialmente quando falamos de seu famoso e lendário whistle. De fato, é um de seus melhores truques, e que o mostra muitas vezes em seu novo disco, que em uma mistura de instrumentos de apoio, você precisa reparar muito para distingui-los, é como se suas cordas vocais viessem de uma banda de várias mulheres cantando.

O grande retorno de Carey em 2005, com o “The Emancipation Of Mimi”, coincidia com a minha emancipação estética, e ele veio com seu grande triunfo, “We Belong Together”. Este foi o primeiro álbum de Mariah que eu comprei, e retroativamente reescreveu a nossa relação: Agora eu estava pronto para assumir reflexivamente a sua grande importância, que uma vez eu tentei negar. Sua prolixidade vocal já não me parecia tão exagerada e sua generosa felicidade, e suas próprias vaidades musicais já eram consideráveis a mim, então eu tinha tudo para me doar muito mais aquilo ali.

Eu posso dizer que fiz tudo isto sozinho: Na última década, o status de Mariah fez uma transição impressionante, que tinha uma facilidade de polarização de consenso. Você pode observar: “Quem que não ama a Mariah?”. É algo como você antecipar uma luta contra uma grande empresa. Afinal, você pode não adorar a “Catedral da Beyoncé”, como a maioria de nós, se você for fazer uma rápida reflexão sobre a Sra. Knowles, verá qual é a sua inspiração autodeclarada – Mariah Carey.

Isso que me assusta agora, quando eu lembro de estar familiarizado com seu trabalho anterior. Isso me dá uma sensação surreal de ter deixado de viver direito nos anos 90, com a minha própria idade, como se eu tivesse preso em um deserto remoto, enquanto todo mundo estava cruzando um caminho.

Enquanto isto, os hits de Carey vão ficando cada vez menos e mais raros. Até mesmo “#Beautiful”, que foi lançada no verão passado com o cantor de R&B Miguel, que serviu de primeiro single para este novo álbum, que parecia ter aquela mesma eternidade de quando ela era apontada por mim como uma cantora de personalidade desviada. Então, quando ela lançou o álbum, foi aí que fiquei nervoso novamente.

Eu senti realmente a necessidade de fazer algo para me desculpar com o tempo perdido, então na semana passada, eu passei um tempo no Youtube dando uma volta no catálogo de Carey. Foi um banquete com muitas comidas deliciosas para o meu ouvido, então eu não me sinto doente e até mesmo saciado, então acho que estou pronto para o “Me. I Am Mariah…The Elusive Chanteuse”.

As duas baladas de aberturas, que possuem um escasso piano espiritual, uma delas deslizando para o funky, sem deixar nenhuma nota perder a harmonia, sem dúvida sabemos quem está no comando por aqui. Em seguida vem “Dedicated”, um dueto com Nas, onde Carey promete cantar  “toda aquela merda maravilhosa do passado”, fazendo um tributo para o verão do Hip-Hop de 88, e carregando com ostentação amostras do grupo Wu-Tang para certificarmos que teremos aqui tudo sobre os anos 90.

E com o dispositivo vintage de fusão nostálgicas musicais e sexuais ligadas, “Dedicated” é uma excelente batida de verão. Mas nós temos  “You Don’t Know What to Do” e “Meteorite”, que também batem na mesma vertente do renascimento da era Disco trazida ilustramente por Pharrel. Para prazeres menos nostálgicos, temos aqui “Money ($*/…)” que tem uma ajuda de Fabolous, com subtítulo ilegível, a letra fala sobre férias e sobre aqueles croissaints hollandaise. (seria uma forma fracassada de falar sobre estes croissants em pleno 2014?)

O disco finaliza com “Heavenly (No Ways Tired/Can’t Give Up Now)”, que nos leva de volta para igreja, onde o álbum começou, mas agora com uma banda, um coro e amostras do rei do Gospel,  o Reverendo James Cleveland, transcendendo improvável seus próprios toques de despedida. Carey, muitas vezes parece ser uma artista única e exclusivamente do tempo presente, e fico realmente tocado quando ela presta uma homenagem às raízes mais profundas do R&B.

O resto do disco é uma miscelânea de baladas agitadas, incluindo uma regravação de fino trato de “One More Try”, de George Michael, um casal que sofre de problemas amorosos melosos sempre foi o meu pesadelo com a Mariah. E também se contorcendo em  “Supernatural”, que é marcada pela voz dos gêmeos de Carey, algo que Beyoncé não faria, mas Mariah jamais deixaria de fazer (e isto, não por causa do abismo existencial entre ser casada com Nick Cannon do que ser casada com Jay-Z).

E ainda assim, mesmo que a letra de muitas músicas possa parecer medíocre ao ser elevada pela Luz-Industrial-e-Mágica dos efeitos vocais de Carey, e a firmeza que a nossa menina nos proporciona naquele “jeito Mariah Carey de ser”. As músicas não possuem sonoridade para tocar nas rádios nos dias de hoje, porém podem ser resgatados com um remix. O que poderia ter sido feito, é uma Mariah que ri dela mesma, e diferente do que nós ouvintes pensamos: Ela cansa sobre si mesma, celebra a si mesma, parafraseando com o Walt Whitman. E nós temos que assumir a sua redistrubuição democrática do poder e carisma por ser a intercessão do arpejo, do riso e da nota da graça divina.

Você ainda pode me perguntar se olhar para trás seria um mau presságio para o futuro de Carey, mas eu tenho certeza que não é assim. Esta foto da capa com um maiô de crochê pode  parecer um pouco agressiva para ela, que nada se parece com aquelas mulheres que estão no final de seus 40 anos e já são mães, e as tendências retrôs do “Elusive Chanteuse” estarão vindo aos charts para continuar a instituição de carreira de diva.

Quanto a mim, vou alegremente acompanhar para recompensar o tempo perdido e brindar a persistência de sua criatividade um pouco desequilibrada de sua voz de duas fases. A verdade é, Mariah Carey foi aquela maior estudante nerd de arte cênicas de todos os tempos, apenas com seu jeito atraente, deixou seus colegas na defensiva o tempo todo. E se ela ficar mais tempo ao nosso redor, será muito mais do que simplesmente uma canção atemporal de Natal, isto seria somente a cereja do topo do bolo. Ou, se eu estiver enganado, será a cereja do topo do topo do bolo. Porque, no final da constas, ela é a Mariah…a guloseima incansável.

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    Belo comentário, esse cara tem o meu Respeito!!!

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