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Neste verão, a diva lendária Mariah Carey traz uma nova residência para o Caesars Palace. Embora o novo show não tenha mudado radicalmente de sua residência anterior,  a noite em que eu estive presente foi um estimulante 90 minutos que deu aos fãs um repertório renovado, momentos de diva inesquecíveis, e lindos figurinos e cenários – para não mencionar um pedido de casamento de surpresa feito no meio de seu show.

Apesar de sua lista impressionante de recordes – incluindo a venda de mais de 250 milhões de álbuns vendidos, tendo mais canções # 1 na Hot 100 da Billboard do que qualquer outro artista que não seja os Beatles, escrevendo e tocando a música mais popular da década em duas décadas consecutivas de 1990, e 35 indicações ao GrammyMariah Carey nunca foi conhecida como uma artista  de turnês da mesma forma que seus contemporâneos. Enquanto Madonna, Celine Dion e (até certo ponto) Whitney Houston faziam turnês ambiciosas, as performances ao vivo de Mariah eram escassas.

Depois que ela entrou em cena em 1990, ela inicialmente estava relutante em se apresentar ao vivo. Isso foi provavelmente uma combinação de três fatores-chave – seu autoproclamado medo do palco, o notável controle exercido sobre ela na época por seu empresário e depois marido Tommy Mottola, e o fato de que ela cresceu ao super estrelato em uma época em que o dinheiro não estava em turnê, mas em vendas de álbuns. E faça álbuns como ela fez.

No período de 10 anos de 1990 e 1999, ela lançou 9 álbuns – 6 tradicionais álbuns completos de estúdio, 1 (agora lendário) álbum de Natal, 1 álbum ao vivo e 1 coletânea somente com músicas que chegaram ao topo das paradas.  Como resultado de sua falta de shows ao vivo, houve aqueles que inicialmente questionaram se ela ainda tinha poder para cantar aquelas incríveis músicas ao vivo fora dos limites de estúdio. Ela silenciou os críticos com performances incríveis em vários programas de televisão ao vivo, incluindo o Grammy, o Saturday Night Live e, o mais memorável, o MTV Unplugged.

Entre 1990 e 2003, ela fez 8 turnês e tocou um total de apenas 44 shows. Em contraste, a grande cantora e compositora Adele tocou um total de 121 shows em apoio ao seu mais recente álbum em um período de 17 meses em 2016-2017. Em 2004, Mariah e sua equipe perceberam claramente como as marés estavam se voltando para a ênfase em apresentações ao vivo e estavam ansiosos para se reconectar com o público depois de dois álbuns consecutivos que decepcionaram nas paradas (Glitter de 2001 e do Charmbracelet de 2002).

Em 2003, ela iniciou uma turnê agressiva de 69 shows, principalmente em locais íntimos na América do Norte, Europa e Ásia. Este foi um claro ponto de virada em sua carreira e ajudou a preparar o palco para seu álbum de retorno massivo, The Emancipation of Mimi, que foi lançado em 2005. Uma turnê em apoio a esse álbum de sucesso massivo, intitulado The Adventures of Mimi, tocou 40 shows América do Norte, Ásia e África em 2006 e arrecadou robustos US $ 28 milhões. Com concertos realizados principalmente em arenas, foi um breve vislumbre do que teria sido o início de carreira de Mariah se tivesse começado em uma era diferente. Ela encerrou a segunda década de sua carreira com a The Angels Advocate Tour, uma turnê de 26 shows em locais íntimos em apoio ao subestimado álbum de 2009, o Memoirs of an Imperfect Angel.

As coisas estavam mudando drasticamente para Mariah, tanto pessoal como profissionalmente, quando ela entrou na terceira década de sua carreira. Ela estava recém-casada com o ator/comediante Nick Cannon, ela deu à luz gêmeos, Moroccan e Monroe, ela teve problemas durante uma disputa contenciosa como jurada no American Idol, e também sofreu uma lesão no braço durante a gravação de um clipe musical. Também descobrimos recentemente que durante esse tempo ela também estava lutando contra o transtorno bipolar e finalmente recebendo o tratamento devido. Era mais fácil achá-la nos tablóides do que nas paradas da Billboard durante este período, mas ela permaneceu uma força na cultura popular.

 2014 foi um ano divisor de águas na carreira de Mariah, mas não pela razão que muitos esperavam. Naquele ano, ocorreu um grande hype que cercou o lançamento de seu 14 º álbum de estúdio, Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse. Que teve a data de lançamento constantemente alterada, uma má divulgação e não foi um sucesso comercial, o que destoava da qualidade do álbum, onde ela abraçou algumas sonoridades com mais ênfase (abraçando a música dance, o gospel, e o  hip hop de forma mais ousada do que ela jamais o fizera antes) e apresentava algumas de suas melhores música de sua carreira, como  “Make It Look Good”  (com o  Stevie Wonder tocando gaita), e um o dueto com Miguel  em #Beautiful”. Ela fez uma breve turnê de 20 shows pela Ásia e Oceania para apoiar o álbum, mas foi uma série de concertos que ela fez no final do ano que marcou o verdadeiro ponto de virada.

Em dezembro de 2014, Mariah completou sua primeira residência. Foi uma série de 6 shows de Natal  com bilhetaria completamente esgotada no histórico Beacon Theatre de Nova York. A série de concertos, apropriadamente intitulada All I Want For Christmas Is You, inspirada em seu lendário clássico natalino. Desde então, essa série de shows cresceu demais, em 2017 ela realizou shows em Las Vegas e no Reino Unido, além de Nova York, e este Natal este Natal estará em toda a Europa. Já tocou para mais de 100.000 pessoas e arrecadou mais de 10 milhões de dólares em receita somente com esse projeto.

Talvez inspirada pelo sucesso deste projeto, ela reservou uma residência no The Colosseum localizado no Caesars Palace, o local histórico que abrigou as residências de Celine Dion e Elton John por vários anos. O gancho para o show dela é que, pela primeira vez, ela tocaria todos os 18 singles que atingiram ao 1° lugar das paradas  (façanha que perde apenas para os Beatles) em um show. A residência, intitulada #1 To Infinity, realizou 50 shows entre 2015 e 2017. Com uma audiência de mais de 176.000 e arrecadação de bilheteria totalizando 24 milhões de dólares em receita, não coincidiu com os concertos de Celine ou Elton, mas foi um sucesso absoluto e levou ao Caersars renovar o contrato com ela e solicitar novos concertos para 2018.

A renovada residência de Mariah foi batizada deThe Butterfly Returns. Claro, funciona nos níveis mais literais – Mariah é a borboleta e ela voltou para Las Vegas. Até mesmo os fãs mais casuais de Mariah reconheceram o contexto da residência. Em um de seus hinos, a balada favorita dos fãs “Butterfly” de 1997, ela canta em deixar alguém voar para se encontrar e explorar o mundo, sabendo que se eles realmente quiserem ficar juntos, eles irão ficar. O retorno da borboleta é a culminação desse momento libertador de 21 anos atrás. Além disso, o título convida a comparações com o álbum principal dessa música (o icônico álbum Butterfly de 1997), que mesmo não sendo o seu maior sucesso comercial, é amplamente divulgado por críticos e fãs como seu melhor álbum e sua melhor fase criativa em toda sua carreira.

Mariah declarou em vários pontos no passado que adoraria fazer uma série de shows íntimos com as faixas favoritas dos fãs  que são menos conhecidas pelo grande público, porém isto não é esse show. Vegas tem que ser sobre os seus grandes sucessos, dado o fato de que, em contraste com as turnês tradicionais que tocam para os fãs obstinados, os shows de residência costumam ser preenchidos por fãs casuais que passam pela cidade. Ela inteligentemente selecionou o setlist para refletir esse equilíbrio. Ela cortou 6 de seus famosos números 1° (“Someday” de 1990, “I Don’t Wanna Cry” de 1991, “I’ll Be There” de 1992, “Dreamlover” de 1993, “Thank God I Found You” de 1999 e “Don’t Forget About Us” de 2005.) Em seu lugar, ela incluiu a dançante “It’s Like That”(2005), o hino inspirador e influenciado pela música gospel ,“Make It Happen” (1991),  dançante “Shake It Off “(2005), seu mais recente hit, “#Beautiful” (2013), e o primeiro single dela que não chegou ao topo das paradas, a serena balada “Can’t Let Go” (1991).

Curiosamente, “Can’t Let Go” foi incluído como resultado de uma pesquisa nas redes sociais que Mariah iniciou pedindo ajuda para os fãs na setlist do concerto.  Além disso, há uma seção da setlist que é dedicada incluir outras músicas que os fãs solicitaram para o concerto. A noite em que estive lá, a música escolhida foi  “Love Takes Time”,  seu segundo single em 1° lugar que já havia sido cantado na residência anterior, porém nas outras noites ela incluiu canções que ela não tinha apresentado ao vivo em anos, como o cover de Brenda K. Starr, “I Still Believe” (que ficou em 4° lugar em 1999), e  “Can’t Take That Away” (um hino pessoal que não teve o lançamento oficial em 1999).

Além de mudar o repertório e receber informações dos fãs, houve várias outras surpresas musicais no show de 14 de julho. Ela tocou “Heartbreaker” como um mashup do single original e um cover do disco clássico de Diana Ross “Love Hangover“, que Mariah cantou pela primeira vez há quase duas décadas em uma homenagem a Ross. Ela tocou versões remixadas de “Emotions” e “Make It Happen”. Durante as mudanças de roupa e apresentações, a banda e os cantores de apoio tocaram trechos de uma série de músicas menos conhecidas de seu catálogo (incluindo “Sweetheart”, “Say Something”, “Loverboy” e “Migrate”). E o seu amigo e colaborador fiel, Jermaine Dupri inesperadamente apareceu para cantar o rap no hit ““It’s Like That.”.

E houve várias surpresas não musicais também. Ela revelou um design de cenário totalmente renovado e um guarda-roupa muito mais bonito que o do show anterior, desta vez se concentrando em mais glamour, menos e decote e mais elegância. Os dançarinos distribuíram champanhe e trouxeram alguns fãs sortudos para a platéia para uma interpretação estridente de “Touch My Body”. Ela caminhou pela platéia para cumprimentar os fãs, enquanto seu backing vocal de longa data e amigo pessoal,  Trey Lorenz deu o pontapé inicial do primeiro verso de “#Beautiful”. E nós ainda temos uma proposta no palco quando ela convidou um dos namorados de seu dançarino no palco para fazer fazer o pedido de casamento. Foi um momento romântico e inspirador que mostrou Mariah estranhamente disposta a ceder os holofotes e celebrar o amor de um casal jovem, gay e interracial que exemplifica a maioria de sua base de fãs.

A multidão lotada absorveu tudo a cada momento, com os membros da platéia constantemente sendo repreendidos pela segurança por tentar pular no palco e alguns por gritarem por sua rainha sem restrições. Havia murmúrios sobre o quão maravilhosa ela parecia e como ela soava. E definitivamente havia uma sensação de alívio.

A grande questão que está sendo constantemente questionada é se ela ainda pode cantar ao vivo. Ela teve alguns problemas na televisão ao vivo,  incluindo seus vocais ruins e estridentes na iluminação da árvore de Natal do evento em  Rockefeller Center de 2014, e no concerto da véspera de Ano Novo de 2016, onde ela parou de cantar quando ocorreu problema técnicos em sua apresentação. Momentos como esses deram aos haters de Mariah sua força vital. Existem inúmeros haters que enchem painéis de mensagens de música com elaboradas teorias de conspiração e insinuações espirituosas sobre seus vocais ao vivo. Eu costumava levar isso numa boa, mas ultimamente eu comecei a ver isso sob uma nova luz. O fato de existirem pessoas que se dedicam a analisar seus vocais passados ​​e presentes com tanto fervor, em última análise, apenas ressalta quão lendários eles são. Imagine uma voz que significa tanto para tantas pessoas que percebem que imperfeições e deterioração causam tal colapso da internet. Enquanto os haters gritam que ela “já era”, a intensidade com a qual eles gritam acaba servindo como prova de que lenda duradoura ela é.

Eu sempre achei essas críticas de seus vocais curiosas, já que a vi tocar ao vivo 8 vezes em diferentes locais e fases de sua carreira e nunca me desapontaram. Claro que ela confia cada vez mais em seus cantores de apoio, às vezes, e parece cantar junto a uma faixa de apoio em determinados números. E não, ela não consegue acertar todas as notas que poderia aos 20 anos de idade com tanta força e sem esforço. Mas toda vez que a vi ao vivo, ela demonstrou inúmeros momentos de êxtase vocal formidável, arrepiante e alucinante. Sua voz pode ser mais variável do que costumava ser, mas não é de se esperar, considerando o quanto suas músicas mais antigas são vocalmente difíceis de cantar e o fato dela estar presente entre nós há quase 30 anos.

Outra razão pela qual essa crítica nunca me impactou tanto é porque eu sempre apreciei suas composições tanto quanto eu apreciei seus vocais. As pessoas muitas vezes esquecem que Mariah co-escreveu todas as músicas que ela já gravou, com a exceção de covers como “I’ll Be There” e “Without You”, e o caso singular de “When You Believe”, uma canção vencedora do Oscar, tema do filme O Príncipe do Egito, um dueto que ela lançou com a falecida Whitney Houston. Isto está em contraste com aqueles que escrevem alguns de seus sucessos (por exemplo, Madonna), aqueles que lentamente começaram a co-escrever algumas de suas canções à medida que suas carreiras se expandiram (por exemplo, Beyoncé, Britney Spears) e aqueles que apenas cantam músicas escritas por outras pessoas (por exemplo, Celine Dion, Houston). Sua contribuição para a composição é particularmente subestimada e uma coisa que pode durar mais que possível decadência que as suas cordas vocais que poderiam sofre no futuro.

Os últimos anos viram a mudança de carreira de Mariah, sair do foco do  topo das paradas da Billboard para uma focada em cimentar seu legado como artista. E que legado, não é mesmo?. Eu ainda aguardo ansiosamente o lançamento de seu próximo álbum (rumores que saíra neste outono) e ainda não descarto a possibilidade de um retorno de tamanho médio à relevância com o material certo. Mas eu estou bem em reconhecer seus dias gloriosos no passado, e cada vez mais, parece que ela também.

Setlist do concerto do dia 14 de julho de 2018:

  1. Honey” (Ano de lançamento: 1997; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Butterfly)
  2. “Shake It Off” (Ano de lançamento: 2005; Billboard Hot 100 – Pico: #2; Álbum: The Emancipation of Mimi)
  3. “Make It Happen” (Ano de lançamento: 1992; Billboard Hot 100 – Pico: #5; Álbum: Emotions)
  4. “Fantasy (Bad Boy Remix)” (Ano de lançamento: 1995; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Daydream)
  5. “Always Be My Baby” (Ano de lançamento: 1995; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Daydream)
  6. “Vision of Love” (Ano de lançamento: 1990; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Mariah Carey)
  7. “Emotions” (Ano de lançamento: 1991; Billboard Hot 100 – Pico : #1; Álbum: Emotions)
  8. “Beautiful” (Ano de lançamento: 2014; Billboard Hot 100 – Pico: #15; Álbum: Me. I Am Mariah…The Elusive Chanteuse)
  9. “One Sweet Day” (Ano de lançamento: 1995; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Daydream)
  10. “Can’t Let Go” (Ano de lançamento: 1991; Billboard Hot 100- Pico: #2; Álbum: Emotions)
  11. “Love Takes Time” (Ano de lançamento: 1990; Billboard Hot 100 – Pico #1; Álbum: Mariah Carey)
  12. “My All” (Year: 1997; Billboard Hot 100 Peak: #1; Album: Butterfly)
  13. “It’s Like That” (Ano de lançamento: 2005; Billboard Hot 100 – Pico: #16; Álbum: The Emancipation of Mimi)
  14. “Heartbreaker (Love Hangover Remix)” (Ano de lançamento: 1999; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Rainbow)
  15. “We Belong Together” (Ano de lançamento: 2005; Billboard Hot 100 – Pico #1; Álbum: The Emancipation of Mimi)
  16. “Touch My Body” (Ano de lançamento 2008; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: E=MC²)
  17. “Hero” (Ano de lançamento: 1993; Billboard Hot 100 – Pico: #1; Álbum: Music Box)

Fonte: Richard LeBeau

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