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O Natal sempre está linkado à Mariah Carey, para Walter Afanasieff. No entanto, Mariah não está linkada a ele há algum tempo.

“Tivemos uma briga”, disse o produtor premiado com o Grammy e co-autor  de, indiscutivelmente, a maior canção de Natal de todos os tempos, sobre sua ex-colaboradora. “Eu teria esperado que em 20 anos, ela teria batido na minha porta – mas isso não aconteceu…”.

Em uma carreira de 30 anos na música, o compositor/produtor participou em grandes sucessos globais variados, como “My Heart Will Go On”, de Celine Dion (pelo qual ele ganhou um Grammy em 1998) e “She Bangs”, de Ricky Martin. Ele dividiu um estúdio com algumas das maiores cantores do pop, de Beyoncé a Barbra Streisand. Mas seu legado, sem dúvida, será definido pelos frutos de uma tarde de trabalho em 1994 com Carey – o onipresente sucesso de Natal, “All I Want For Christmas Is You”.

Agora, 24 anos após seu lançamento, a música está no 5º lugar na parada oficial do Reino Unido, e em 6º na Billboard Hot 100, nos EUA, depois de entrar no Top 10 pela primeira vez em dezembro do ano passado. Juntos, a dupla deu à luz a última música de Natal para se tornar um verdadeiro marco da temporada e a ruína dos trabalhadores de varejo em todos os lugares.

Mas, apesar de sua história compartilhada – eles co-escreveram vários de seus outros sucessos, como “Hero”, “Forever” e “Anytime You Need a Friend” – Afanasieff e Carey não vão brindar seus cheques de royalties anuais com em dezembro.

Existem algumas razões, ele sugere, para isso ter acontecido. Em primeiro lugar, a separação de 1997 entre a cantora e seu ex-marido Tommy Mottola, ex-diretor da Sony Music Entertainment.

“A razão pela qual paramos de trabalhar juntos foi principalmente porque ela e o marido, que era o presidente da Sony Music, se divorciaram. E eu estava sob um contrato exclusivo com ele. Então, ela deixou o prédio, ela não estava mais no selo, mas eu não podia ir trabalhar com ela porque ele não me deixava. Então ela encarou aquilo como uma traição”.

Além disso, diz ele, havia problemas de ciúmes.

“Cantoras como Mariah, Celine, Whitney [Houston], Barbra [Streisand]”, ele diz, “são criaturas muito inseguras”.

“Se você começar a trabalhar em uma música com outro vocalista, o ciúme aparece. Elas são pessoas muito, muito ciumentas. Então, eu estava trabalhando para colocar comida na minha mesa. Eu não posso apenas trabalhar com Mariah, tenho que trabalhar com outras pessoas, e acho que isso foi um pouco problemático porque eu estava trabalhando, na época, com Celine [Dion], e havia uma garota chamada Lara Fabian também. Então, eu não sei, nós apenas nos separamos”.

Embora ele ainda tenha carinho pela cantora, ele admite estar desapontado pelo modo como ela fala de seu trabalho em conjunto.

“Ela não gosta de reconhecer outras pessoas. Parece ser um problema com as cantoras. Se você vê uma cantora falando sobre algo que elas escreveram, elas provavelmente dirão que ‘eu escrevi a música quando eu tinha 12 anos’, ou, ‘aqui está outra música que eu escrevi’. Não importa quantas entrevistas ela tenha dado ou quando ela está no palco, ela nunca dirá ‘aqui está a música que eu escrevi com o Walter’. Ela fez disso o modus operandi [de deixar de mencionar o nome dele ao discutir a música]. Nós escrevemos a música juntos, meu nome é 50%, o nome dela é 50%, nós temos partes iguais”.

Ele cita uma entrevista em particular, com a Billboard em 2017, depois que a música alcançou o Hot 100 pela primeira vez, na qual ela parece sugerir que ela havia concebido a canção quando era jovem.

“Ela veio com uma história louca nos últimos dois anos que ela escreveu “All I Want For Christmas Is You” quando ela era criança em seu teclado Casio”, diz ele. “E eu fico pensando, isso é loucura, eu não estava com você quando você era criança escrevendo aquela música no Casio, então por que eu sou 50% dono da música? É uma coisa maluca”.

A história de como a música surgiu está bem documentada. Como Afanasieff conta, a maioria foi feita em menos de uma hora, depois de Carey ter colocado alguns vocais em uma melodia de piano inspirada no rock que ele havia improvisado enquanto eles estavam trabalhando em faixas originais para seu álbum de Natal, Merry Christmas.

“Nós escrevemos a música muito rapidamente e a organizamos muito rapidamente, do começo ao fim, tirando ou acrescentando algumas das coisas de produção que eu fiz”, ele diz. Toda a faixa foi construída em seu computador, sem a necessidade de instrumentos ao vivo. Os dois seguiram caminhos separados para terminar suas partes (Afanasieff, a melodia e Carey, a letra) antes de se juntarem algum tempo depois para gravar seus vocais.

“Quando nós escrevíamos juntos, nós costumávamos criar a melodia e a música juntos, um pouco das letras, o título, o refrão, qualquer coisa, e então Mariah iria escrever a maior parte das letras para dizer o que ela queria dizer. Ela me ligaria para dizer ‘reideer click’ faz sentido?”.

No geral, ele fala muito carinhosamente sobre seu tempo trabalhando com a cantora. Ele diz que eles tinham um relacionamento de trabalho diferente de qualquer outro em sua carreira profissional.

“A química foi tão boa”, diz ele. “E nós escrevemos um monte de músicas, nós éramos parceiros. Não exclusivamente – ela escreveu com outras pessoas e outras pessoas também a produziram, mas eu era o cara principal”.

Afanasieff fica particularmente nostálgico neste período de sua vida durante os dias de glória da música pop, como ele define, quando o rádio era dominado por cantoras com vozes gigantes como Diane Warren, Mariah Carey, Celine Dion e Whitney Houston. Ele já não tem tanta certeza sobre a “porcaria louca” que toca no rádio hoje em dia.

“[Escrever músicas] era muito divertido naquela época. Hoje temos regras e regulamentos; existe esse processo estereotipado de fazer composições agora que realmente não existem grandes ideias, novas ideias. É uma fórmula muito simples de quatro acordes, tirada dos quatro acordes de Let It Be dos Beatles.

“Eu amei a década de 1990, porque todo mundo se jogava. Nós tínhamos grandes baladas, e Whitney cantava, Celine Dion cantava e Mariah cantava, todo mundo tinha uma voz maior e uma música maior, uma música melhor e letras mais incríveis, e era um processo mais poderoso e exigia mais talento . Hoje em dia é como se qualquer um pudesse fazer música”.

E ele acha que Carey adaptou e mudou com a música pop a fim de permanecer relevante. Ele não ouviu seu novo álbum, Caution, que conta com colaborações com uma variedade de produtores de primeira linha e indie, como Skrillex, pioneiro da EDM, Devonté Hynes, colaborador do R & B e Nineteen85, colaborador de Drake, que provou ser um sucesso com os críticos.

“A base de sua carreira, as partes que fizeram dela uma superstar foram as músicas maiores como “Hero”, “My All”, “One Sweet Day”. E, no meio disso tudo, ela apareceu com outras canções boas também, como “Dreamlover” e “Visions Of Love”. Então, sua voz grandiosa se envolveu com uma música maior. Ao longo do caminho, porém, ela quer ser bem sucedida comercialmente. Ela quer estar no rádio. Estar no rádio e ser Mariah Carey é quase uma contradição para mim. Porque muitos de seus fãs, que eu conheço, seus Lambs, amam aquelas músicas maiores e melhores dela”.

Nos anos após o término de seu relacionamento profissional, Mariah se apegou fortemente ao R&B, com sucessos como “Heartbreaker”, apresentando Jay-Z, “I Know What You Want” com Busta Rhymes e a melódica “Touch My Body”.

“É muito difícil entrar no rádio hoje em dia”, diz Afanasieff. “Você tem que ser muito hip-hop, muito nervoso com as letras, muito sexy, sujo e promíscuo, e não se bate mais nas portas dos grandes compositores”.

Apesar do afastamento dos dois, Afanasieff é grato pelo impacto de Carey em sua vida, o que é uma coisa boa, porque ele provavelmente terá que ouvir sua voz várias vezes a cada ano pelo resto de sua vida.

“Eu amo Mariah Carey”, ele diz, “ela é a melhor coisa que já me aconteceu. Infelizmente, isso não é recíproco”.

Fonte: Radio Times

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