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Hoje ela é conhecida por suas curvas que desafiam a gravidade, mas quando ela emplacou seu primeiro sucesso em 1990, aos 20 anos, a vocalista de Long Island era notavelmente mais magra do que agora. Em uma nova entrevista, para a revista australiana Stellar, a cantora de 47 anos se referiu a sua versão mais jovem como “subnutrida”.  Ao falar sobre seu primeiro clipe, Vision of Love, ela revela: “Eu sofria muito com a falta de comida, privação alimentar mesmo. Falo sério”, e continua – “quando olho para trás… como eu já sofri! A minha infância não foi fácil”.

Ao longo do tempo, o efeito sanfona do corpo de Mariah ficou famoso. Em 2011, ela assinou contrato para ser o rosto da empresa Jenny Craig (que trabalha com assistência na perda de peso e vida saudável), logo após ter os gêmeos Morrocan e Monroe. Ela diz que graças ao tratamento, perdeu quase 14 quilos após a gravidez. Depois ela acabou engordando de novo,  e agora emagreceu de novo por causa dos preparativos para o seu casamento com James Packer – que nunca aconteceu.

Falando sobre a sua “sombria” dieta ao Sunday Times, em março, a intérprete do hit Obsessed conta: Eu uso bastante essa palavra (sombria) porque tem muita coisa assombrosa acontecendo”. E acrescentou: “minha dieta sombria é ridícula, mas eu não quero sair espalhando ela por aí porque não é da conta de ninguém”, conta a super estrela que anda bem ocupado promovendo o programa Mariah’s World.

'I was malnourished at that point, pretty much, for real,' the now 47-year-old told Stellar magazine on Sunday

Mariah com os dois Grammys que ganhou em 1991

Mariah’s World, frame por frame e minuto por minuto, é exatamente o que você poderia esperar de um reality show do E! sobre a Mariah Carey.

O primeiro episódio, que estreia domingo (4) no EUA, é o que o personagem Stefon, do Saturday Night Live, diria, quase sem fôlego, ser a versão Mariah Carey de tudo o que existe: ela fala sobre sua origem humilde e sua superação na vida enquanto passeia num iate de luxo. Há também uma aparição da inimiga maior de Mariah, o seu alter-ego Bianca Storm – que não passa de uma Mariah de cabelão preto e liso. Sem contar as imagens lindas dos gêmeos da cantora, Morrocan e Monroe (mais conhecidos como Roc e Roe). Tem a empresária puxa saco e durona, Stella,  que está sempre preocupada em manter os níveis de estresse de Mariah no chão. Tem os depoimentos de Mariah falando diretamente para a câmera em lounges de sua casa, sentada com um corset e muitas, muitas, muitas filmagens do decote dela. Se existisse uma categoria do Emmy chamada de Melhor Compromisso para Expor Decotes, honestamente, nenhum programa merece esse prêmio mais que o Mariah’s World.

Esse pseudo-documentário anseia mostrar os bastidores da turnê de Mariah pela Europa, além de seguir os desdobramentos de seu noivado com o magnata australiano James Packer (eles já não estão mais juntos). Mas na verdade, é apenas uma versão estendida e publicitária da marca de Mariah. É bem real mas claramente calculado – é o programa que só vale a pena se você for um fã hardcore, desde o tempo de Vision of Love ou se você ficou do lado dela após o divórcio com Nick Cannon. Mesmo que um reality show seja um prazer condenável que causa uma ilusão de espontaneidade e seja adequado ao comportamento de diva da Mariah, o novo programa do E! é só mais ou menos satisfatório, parcialmente porque mesmo quando tudo parece natural, ficamos com a impressão de que tudo foi minimamente pensado.

“Eu nunca quis fazer esse documentário e ser seguidas pelas câmeras”, conta Mariah num momento clássico de virada de olhos. Depois ela aparece deslizando numa cadeira de escritório porque não pode sofrer o incômodo de andar em saltos extremamente altos. Mariah sabe que os espectadores vão achar que ela tem um valor alto de manutenção, levemente narcisista, e então ela os ataca na jugular ao concordar e debochar de tudo isso na frente de todo mundo. É como se ela mesma antecipasse comentários de haters no Twitter.

Na verdade, se a Mariah fizesse essas coisas estranhas durante todo o primeiro episódio, que o E! disponibilizou com antecedência, eu estaria mais inclinada a recomendar o Mariah’s World. O maior pecado da estreia é o mesmo de todos os outros realitys com celebridades que já existiram. O famoso é o objeto que age como alguém glorificado, lindamente bem fotografado no centro da arte de fazer TV. Problemas que são relativamente menores são elevados a status de crise. Possíveis dramas, como os flertes com o seu dançarino e alguns desentendimentos sobre as coreografias, ganham destaque de forma orquestrada. Quando Stella, a empresária, contrata uma jovem chamada Molly para ser assistente pessoal da Mariah durante a turnê, Stella conta para a novata que ela não pode ter namorados durante o primeiro ano de trabalho e nem chorar em seu escritório. Então, no seu primeiro dia de trabalho, quando Molly não consegue conectar a Apple TV no quarto de Mariah – que aparentemente não consegue dormir sem a Apple TV – ela imediatamente chora. E você pensa: é óbvio que isso está acontecendo. A pessoa mais disposta a ter um colapso na menor provocação é o que deixa tudo melhor na TV.

Mas com tanta TV para assistir hoje em dia, com certeza você pode achar algo melhor pra ver. O mundo é grande, meus amigos, e há muito mais a explorar do que a Mariah na sua tentativa de imitar o Keeping up with the Kardashians.

Há algumas décadas, estamos passando por uma trágica recessão de divas. Temos até algumas dúzias de baladeiras e estrelas do pop – algumas até de atuação sublime. Mas enquanto as Mileys da vida rasgam as páginas do manual das divas, outras como Beyoncé, Nicki Minaj e Adele simplesmente não possuem o potencial combinatório de grandes canções, temperamentos peculiares e comportamentos excêntricos em público, que marcaram as carreiras das grandiosas Barbra Streisand, Whitney Houston, Diana Ross e Celine Dion.

Na era de estrelismo megalomaníaco de reality show e celebridades da política – onde a fama, exposição e registro de marcas são manipulados com esperteza rumo ao lucro – o papel de diva, consagrado no arquétipo das celebridades, não é fácil de achar. As divas foram expostas antes mesmo da existência dos reality shows e da internet, mas tudo parecia feito sem poesia: uma intimidade exposta com o establishment público, formado pela fofoca e pela vulnerabilidade performática do estrelismo, que canaliza os bastidores obscuros e corações partidos que elas, através de performances incríveis, demonstram um por um com suas vozes que param o mundo.

Divas tem a fama de existirem em dificuldade maior, com alcances e habilidades vocais inacreditáveis de suas gargantas soprano para criar um personagem ainda mais histriônico – mas por causa da intimidade de cada uma, elas também são amadas.

Só que desde os anos 90, as divas resolveram recuar da cultura pop, dando lugar a celebridades que são famosas só por serem famosas. Uma habilidade e tanto, sem dúvida, mas longe do talento que lotava estádios com fãs, por exemplo. E muita dessa adoração por figuras como as Kardashians e as Real Housewives são pinceladas  com um toque de repulsa, já que os realitys são um teatro de desprezo negociado com o  espectador, onde se experimenta a pena por quem está na tela e auto-depreciação por se deixar levar por aquilo em primeiro lugar.

Felizmente, uma diva de verdade entrou em cena – e chegou para ser venerada. Mariah’s World, uma série documental especial de oito episódios do E!, é centrada na figura de nada menos que Mariah Carey. Ela, que sempre está predestinada a parecer polida e sempre inacreditavelmente apaixonada por si mesma em frente as câmeras. Uma das muitas razões que fazem os realitys funcionarem na TV é porque a maioria dos personagens esquecem as filmagens depois de uns dias e se acostumam (às vezes o álcool ajuda). Mariah nunca esquece! Apesar de sempre estar acompanhada por uma taça de vinho.

Ela sabe que está sendo gravada, falando para o público em um tom que é metade explanação e metade performance. A câmera a encara e ela encara de volta como um espelho, notando ângulos, luzes, cabelo, maquiagem, contato visual. Ela é meticulosamente auto-centrada, de um jeito que mescla insegurança e um apurado faro comercial. Enquanto, claro, está absolutamente impecável, daquele jeito artificial hollywoodiano, ela não tem o menor interesse de manter ilusões de naturalidade.

Também ajuda o fato de Mariah, através de seu puro charme, fazer o especial ficar sem objetividade de uma forma deliciosamente humana e engajada. O programa acompanha Mariah enquanto ela tenta planejar seu casamento e executar uma turnê internacional ao mesmo tempo, o que cria duas áreas diferentes para histórias. Mas quem seguiu os acontecimentos da vida dela sabe que 2016 já teve bastante drama, entre finalizar um divórcio, organizar um casório e cancelar sua turnê na América do Sul. Spoiler: o casamento de Mariah foi cancelado com direito a abusivo e escandaloso acordo pré-nupcial e justiça e tribunais envolvidos. Com isso em mente, parece um esforço infrutífero ver o programa, que começou a ser filmado muito antes de tudo acontecer.

É aí que reside a genialidade do programa e da personagem de Mariah. O lance é que Mariah’s World é uma piada, um deboche. Uma piada que Mariah faz e convida todo mundo a participar. O programa rola dentro dos padrões de reality shows, introduzindo personagens secundários que criam laços e narrativas para atingir suas metas, com os depoimentos entre um acontecimento ou outro, analisando os contextos. Mas nesse a Mariah senta com a câmera em pelo menos seis lounges chiques diferentes de sua mansão, onde a diva se deita casualmente com tudo milimetricamente pensado em roupas de matar, saltões de 15 centímetros, colares de diamantes e cintas liga. A pele dela brilha e seu cabelo esvoaça – é impressão ou ela fica mais trabalhada na ostentação a cada corte de vídeo?

Assisti-la é como estar preso num logo seguimento de alguma série de comédia. Tipo Arrested Development, quando o Gob não consegue parar de dizer a todos o quanto o seu terno custou, mas fica aumentando a cada vez o preço, numa tentativa desesperada de exceder as expectativas; a diferença é que Mariah Carey pode, de fato, exceder as expectativas. Logo no primeiro episódio, ela revire os olhos enquanto se prepara para pular nas águas do oceano. “Ai, que agonia! Estou no iate e tenho que ir nadar usando vestido e diamantes!”. Ela até se entrevista com um alter ego de diva, jogando champanhe no chão e debochando da ostentação. A direção também brinca dentro da piada, com zooms irônicos e afiados em momentos que merecem atenção. Sempre com ações imprevistas e com um certo tanquinho de um certo dançarino que sempre aparece, Mariah é o objeto de desejo da câmera e também a pessoa por trás dela. Em dado momento, ela abanadona uma cena com uma sacada de gênio: “Estou quebrando a quarta parede, tchau!”. Apenas um gostinho das risadas que ela esbanja – mesmo em cenas sérias, estabelecidas pela edição.

Isso que é o melhor. Mariah é o motivo do piada e a comediante que a conta, com a audiência pronta para oferecer um olhar cínico ao reality. Mariah’s World é um sarcasmo tão abrasivo do mundo das celebridades que é quase uma auto-paródia. Mariah fica ansiosa para explicar mais sobre ela mesma, mas ao mesmo tempo é capaz de notar o quão ridícula ela é. Numa cena, ela tenta explanar porque precisa de quatro pessoas para calçar seus sapatos – parte disso é um pedido de desculpas, a outra parte, pura brincadeira espirituosa. Ela tem uma personalidade forte o suficiente que não precisa se munir de drama excessivo ou apelo popular: tudo flui com facilidade, enquanto ela senta num trono e examina o trabalho da sua manicure. O entendimento dela de figura pública, vivendo com uma há décadas, é sombrio, cheio de nuances e habilidoso. Escorrega de forma cautelosa por debaixo da fortaleza moral da sociedade moderna, construída de estrelas do Instagram e YouTubers.

Honestamente, é cheio de alegria e diversão. Como todo reality, Mariah’s World tem suas frustrações e manipulações. Mas que servem com o lembrete do que é ser verdadeiramente enfeitiçado por uma diva: um mundo de contradições entre o poder e a fragilidade, tão cheias de si e poderosas, e ainda assim, sempre desmoronando.

O episódio de estreia termina com Mariah, vestida de preto, elegantemente se jogando num sofá branco chique em Glasgow (provavelmente exigido por ela durante a turnê). É o oposto de seus outros momentos jogadas em sofá. Nesse, os ângulos ainda não tinham sido testados, claramente. O cabelo dela não estava arrumado, as luzes não estavam ajustadas. Mas seu decote estava perfeito, assim como sua roupa. Por uns segundos, a câmera a observa repousado. Então, ela declara, com um braço cobrindo os olhos: “Isso é loucura!”. Ela se refere aos atrasos nos ensaios do show e os adiamentos do casamento e ao cansaço da turnê. Mas provavelmente ela também pensou que foi uma loucura que todas as pessoas e interessados se movimentaram arduamente para que ela ficasse ali, deitada sem motivo num sofá do meio da Escócia, com o cabelo perfeito na frente de operadores de câmera silenciosos. Sinceramente, ela tem razão.

Mariah e James já não estão mais juntos, todo mundo sabe. Uma fonte próxima ao magnata até disse que é possível que haja uma volta do relacionamento dos dois e que eles ainda estão conversando, mas que James precisava de um tempo. Ele, um bilionário de negócios, chegou a pedir Mariah em casamento com um anel de diamantes 35 quilates em janeiro – meses após o relacionamento vir a público, em setembro de 2015.

O casal teve um romance badalado: passaram as férias de verão na Itália e saíram pra jantar dezenas de vezes com os Dembabies Monroe e Morrocan, que Mariah teve com o ex-marido Nick Cannon. A fonte próxima a James conta que os motivos são os gastos exagerados de Mimi e a exposição da vida pessoal no reality Mariah’s World, do E!.

“Ele é muito ligado nos negócio e em fazer dinheiro. Alguns dos hábitos de Mariah, muito excêntricos em relação aos gastos, causaram drama. Ele é muito generoso, mas não concorda com gastos sem limites, definitivamente”, afirma a fonte. Eles podem até falarem que tudo acabou, mas esta fonte garante que a chance deles voltarem é real. Se liga em cinco curiosidades sobre James que você precisa saber:

1.Ele tem muita, muita, muuuuuuita grana:

De acordo com a revista Forbes, o valor estimado de James é de 4,7 bilhões de dólares. Mas como ele construiu essa fortuna? Ele teve um começo dos bons: o pai dele é o já falecido magnata da mídia Kerry Packer, proprietário de canais de TV, agências de notícias e editoras. James virou comandante da Crown Ltda. – uma gigante do entretenimento que possui diversos resorts na Austrália. Ele alavancou seus negócios com investimentos inteligentes e é considerado a quarta pessoa mais rica da Austrália.

2. Ele já foi casado
Igual Mariah, ele também tem filhos de um casamento anterior. Ele é pai de três crianças que teve com sua ex-mulher Erica Baxter – ela atualmente namora o cantor Seal. Tanto James quanto Mariah já se casaram duas vezes.

3. Ele teve uma passagem pela cientologia
Após o fim do seu primeiro casamento, com a modelo Jodhi Meares, ele se tornou amigo de Tom Cruise, o mais ilustre entre os cientólogos. Ele frequentou a Igreja da Cientelogia na Austrália.

4. Ele é meio temperamental
Em 2014, um vídeo flagrou Packer e David Gyngell, outro bilionário, saindo na porrada pelas ruas de Sydney. Ambos os magnatas, amigos desde a infância, foram multados em 500 dólares por ‘comportamento ofensivo’. Parece que foi David, e não James, que instigou a briga. Um assessor afirmou que David assumiu toda a culpa pelo incidente e que se ele não tivesse respondido a altura do mau humor agressivo de James, nada teria acontecido.

Os rumores apontam que a briga foi por causa da supermodelo Miranda Kerr, que supostamente tinha um romance com James na época – mas ela negou qualquer envolvimento com ele ou com a motivação da briga.

5. Ele é dedicado a sua boa forma

Enquanto passava férias com Mariah em 2015, na Itália, James mostrou um físico em forma enquanto dava umas voltinhas de sunga. Eles alegadamente passaram um tempo no iate de luxo de James, o Artic P.

Fonte: People

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