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My Everything

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Com seu segundo disco, a cantora de “Problem” não se assemelha mais a “A cantora indescritível” – e isto é bom.

Quando lançou o seu single de estreia “The Way”, Ariana Grande foi jogada na sombra de uma artista gigante: Mariah Carey. Seu disco de estreia, Yours Truly, parecia páginas roubadas do livro de anotações de Mariah Carey: a atração com o R&B que destila no reino pop, além com uma superfície inocente que flerta com a sensualidade. Uso de batidas do hip-hop, e claro, os famosos whistles. Sim, os whistles.

Isto é algo que sempre vamos linkar a Mariah, pois ela é a praticamente a detentora dos direitos dele. Quando questionada sobre a Ariana ser chamada pelos críticos como “A Mariah Jovem”, Mimi automaticamente jogou uma indireta, mas não a Ariana, e sim falando dos artistas que geralmente são comparados a ela. “Antes de qualquer coisa, eu ainda sou jovem, numericamente falando. Eu parei de contar a minha idade aos 17 anos,” ela falou no programa de rádio The Breakfast Club em fevereiro passado. “Mas eu desejo a todos boa sorte, e se este é um estilo de carreira que eles querem seguir, e espero que eles também possam alcançar a longevidade.”

Não é que seja uma coisa ruim ser comparada com Mariah Carey – afinal, seu talento e sucesso como profissional são imensas. Ela tem uma carreira profissional de sucesso com mais de 20 anos, conseguido 18 singles em 1° lugar no Hot 100 da Billboard. Ela também é a cantora que mais vendeu na era Nielsen SoundScan, que se iniciou em 1991, com mais de 54 milhões de discos vendidos. Mas esta comparação que digo é menos sobre sua influência e sim sobre a sua supremacia e legado de artista única. Ser chamada de uma versão miniatura de uma artista que criou uma estética musical única de sucesso ao longo das últimas décadas mostra que você esta copiando o passado, esperando que as pessoas esqueçam a Mariah fez anteriormente, e que você seja o projeto de referência para este legado. Então, ninguém quer ser comparada com esta nova garota.

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Mas então veio My Everything, que foi lançado no dia 25 de Agosto, onde finalmente Ariana acaba essencialmente com esta comparação. É um álbum que transita de gênero e que são habilmente operados por ela. Creditando sua diversidade musical ao lado de pessoas de estilos ecléticos, indo de Max Martin e Ryan Tedder e crianças descoladas como Cashmere Cat e the Weekend, artistas com quem Mariah nunca trabalhou (Até mesmo Harry Styles está creditado no encarte, embora achemos que Mariah talvez nem saiba quem é ele). E depois, o fato de ficar distante dos vocais característicos de Mariah – voz de cabeça e enunciação – algo que distinguiram Mariah de suas concorrentes ao longo dos anos. Mariah não é Ariana e agora, Ariana não é mais Mariah.

Os pontos claros de referências foram primeiramente estes, e é claro, que como uma porção dominada pelos vários tons de whistles, que faziam todos os críticos fazerem esta comparação. Ao longo de sua carreira, Mariah sempre foi referenciada por sua personalidade excêntrica, somente ofuscada por suas oitavas empregas em sua poderosa voz, que muitas vezes estas oitavas são empregadas nos finais de todas suas canções para enfatizar algum anseio exuberante. É um método que ela usou em canções como “Someday” e “Anytime You Need a Friend”, seguindo assim ao longo das últimas décadas, e até mesmo em seu mais recente álbum, Me… I Am Mariah, tendo como destaque a canção  “Make It Look Good.”

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Esta influência em Ariana foi algo imediato, desde o inicio de sua carreira, quando ela fez um cover no piscar dos olhos de “Emotions” de Mariah Carey e também em alguns singles do álbum Yours Truly como “The Way” e “Baby I.” Mas com o My Everything, seus vocais soam em tons mais baixos. Há também momentos mais fugazes e breves, como em “Break Free” e “Be My Baby,”, porém ela está eliminando completamente isto de seu novo LP. É algo que distingue Ariana de sua grande inspiração musical, algo que provavelmente a Mariah jamais faria. Com nível puramente técnico, no entanto, Ariana faz uma abordagem mais acessível aos ouvintes das rádios Top 40. Não é algo que você pode somente dançar na pista, você pode cantar junto, algo que no caso de Mariah nem é sempre possível. No padrão clássico da indústria, muitas vezes é melhor você oferecer algo mais simples como single, é isto que ela faz com o My Everything.

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Mas é claro que apesar disto, existem músicas boas no My Everything, apesar dele não ter um foco. Enquanto no Yours Truly estávamos concentrados no R&B usando a música pop como modelo, o My Everything é uma colcha de retalhos, fazendo um pingue-pongue entre os gêneros musicais, provavelmente uma tentativa de disfarçar um favorecimento somente em um seguimento, usando as músicas como experimento. Ela flerta com o a música eletrônica (“Break Free,” “One Last Time”), usa um sample de hip-hip (de Diana Ross em “Break Your Heart Right Back,” e também dos  The Sylvers na canção bônus, “Cadillac Song”), além de fazer músicas com versões no mesmo estilo do Glee, quando eles fazem uma balada evocativa (“Why Try,” “Just a Little Bit of Your Heart”). Com este disco, ela mata o equilíbrio musical que existia em Yours Truly, talvez seja um tapa na cara de Babyface e Harmony Samuels por estarem fora do projeto. Toda música do My Everything tem vida própria, elas soam como hit, porque no final das contas, nós estamos vivendo a era do iTunes.

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Mariah jamais faria isto. Apesar de ter somente dois álbuns (com a exceção de um EP de Natal e uma canção chamada “Put Your Hearts Up“, conhecida por ter sample do 4 Non Blondes, algo que o Spotify jamais vai nos deixar esquecer) Mariah é melhor visionária do que ela. Ela soma claramente os seus adjetivos musicais, muitas vezes, mesmo que trabalhe com o mesmo elenco em diferentes projetos. Seu mais recente projeto, Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse é um autoconhecimento que agora ela corresponde à meia-idade, cantando músicas apropriadas para ela.  Ele é levemente colorido com uma pitada da era Motown, um pouco do som das rádios adultas e, é claro, a sua raiz do R&B, que é um eco musical de um dos rumos que ela tomou em sua carreira nos últimos anos. Mariah sempre foi fechada em um estilo de som para explorar em um álbum. O Butterfly, por exemplo, foi à sensualidade da chuva da meia noite flertando como o R&B, já o Rainbow é um aperto de mão da música pop com o R&B, o Music Box é datado por ter músicas estilizadas como as do C&C Dance Factory e baladas seguindo a mesma tendência que as canções da Disney. Eles podem até terem tido 50 tons diferentes de cinzas, mas cada um deles manteve-se fiel a um estilo.

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Agora, a música de Ariana tornou-se tão diversificada, ela conseguiu seguir todas as tendências atuais do mercado de uma vez só, Mariah poderia fazer isto, mas não faz. Isto tem os seus benefícios, é claro. A discrepância é evidente em cada um dos projetos.  My Everything provavelmente dará para Ariana a maior estreia de sua carreira e de quebra já gerou dois hits. Já o Me… I Am Mariah teve uma relevância estacionada em 3° lugar, tornando-se a menor abertura da carreira de Mariah Carey. Com quatro singles lançados muito antes do cd chegar ao mercado, somente #Beautiful alcançou o Top 15 do Hot 100 da Billboard. Sonoramente, Ariana está com várias músicas atualmente de sucesso nas paradas. Já Mariah? Nem tanto.

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Então o que restou de Mariah em Ariana? A canção bônus “Too Close” soa muito familiar com “I’ve Been Thinking About You?” (Music Box)? Isto é evidente. Trabalhando com artistas do hip-hop? Perca um pouco de seu precioso tempo para ouvir o catálogo de Britney Spears e Christina Aguilera e você também ouvirá um pouco destes traços de Mariah. Canções de Natal? Veja: Agora Todos fazem isto também. Agora, quando você chamar a Ariana de “mini-Mariah,” você estará dizendo que ela também é uma cantora talentosa e com uma grande voz (obviamente, com muito menos potência e dicção), porém as outras semelhanças se distanciam com o tempo. Com a chegada de My Everything no mercado, nós damos um ponto final em nossa conversa. Grande finalmente está saindo da atmosfera de Mariah Carey – até um novo lançamento, é claro.

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