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So So Gay

Mariah Carey é o que você realmente poderia chamar de algo divisor de águas. Todo mundo tudo tem uma opinião ao seu respeito, até mesmo aqui no Reino Unido, onde ela nunca teve o mesmo nível de sucesso e status de superestrela genuína como ela alcançou ao redor do mundo.

O contraste entre suas posições nas paradas do Reino Unido e números de vendas é tão marcante, que chega ser difícil descrever qual é o seu público alvo no Reino Unido, e porque não tivemos a mesma experiência compartilhada através de sua carreira impressionante.

Ela teve vários grandes hits por aqui, e dois singles em #1, o que seria muito bom para qualquer artista, menos para Mariah Carey. Mas considere isto como o que podemos chamar de um grande divisor de águas para Mariah Carey:

Mariah lançou 14 discos de estúdio, seis deles foram número na América. No Reino Unido, apenas cinco de seus álbuns entraram no Top 5. Nos Estados Unidos, o seu pior desempenho na parada de discos foi a 7° posição, e nós estamos sendo caridosos, pois o álbum em questão é trilha sonora de um filme que leva o mesmo nome e teve a infelicidade de ser lançada na trágica data do dia 11 de setembro de 2001. Já no Reino Unido, sua pior posição com um álbum na parada foi em 2002, com o Charmbracelet, que ficou fora do Top 40. E sua situação na parada de singles é a mesma coisa: Nos Estados Unidos  la é recordista em músicas em 1° lugar (18 canções em 1°, superando Elvis Presley e Michael Jackson), já no Reino Unido somente 13 dos seus 64 singles chartearam dentro do Top 5.

Mas em nenhum momento de sua carreira tivemos uma diferença tão gritante de popularidade entre o Reino Unido e Estados Unidos como foi durante o lançamento do seu disco de estreiam 1990. Mariah viu
todos os seus quatro singles atingirem ao topo parada norte- americana, enquanto no Reino Unido eles ficaram nas respectivas posições – 9, 37, 38 e 54. O álbum vendeu mais de  15 milhões de cópias no mundo todo, mas apenas 300 mil no Reino Unido.

É por trás deste contexto que vamos revisitar seu primeiro álbum, que após 25 anos de seu lançamento no Reino Unido, é isto assegura tão bem o quanto ele passou pelo teste do tempo, tornando-se atemporal e o legado que ele deixou.

No final dos anos 80, como cantora e compositora na luta árdua, a artista que mais tarde conheceríamos simplesmente como Mimi, estava distribuindo sua fita demo para todos os lados e revesando a carreira musical com trabalhos de baixo remuneração para se manter. Todos nós já ouvimos este conto de fadas… Um dia desses, ela por acaso encontrou um poderoso na Sony Music, Tommy Mottola, que na época precisava de um artista novo urgente para se manter neste cargo, e após ouvir sua fita demo, ele passou dias atrás da dona daquela voz, pois tinha certeza que ela se tornaria uma grande estrela.

Então, as músicas de sua fita demo passaram a se tornar o material  de seu disco de estreia. As grandes e sinceras baladas passaram a se tornar o cartão de visitas de Mariah, que estavam presentes por todo o disco, desde o clássico sobre um desgosto amoroso, comoLove Takes Time”,  até o hino gospel “Vision Of Love”, que é considerada até hoje como um dos maiores singles de todos os tempos por um artista iniciante. Até mesmo o material que era um pouco mais medíocre do resto do contexto, como “All In Your Mind”, exibe a versatilidade e poder vocal de Mariah. Não importa se você é bom cantor ou se você pensa que é um, se você não for capaz de conseguir fazer algo semelhante a isto, simplesmente desista.

Mariah sempre esteve disposta a empurrar a suas raízes e influências artísticas, e mesmo com seu álbum de estreia, ela não quis comprometer a sua visão como artista. O álbum possui influências gospel e soul que realmente a deixaram orgulhosa como cantora. Há uma canção muito exagerada chamada “There’s Got To Be A Way”, que
tenta ser uma hino sobre a superação do racismo que cita isto como “fanatismo regulamentado”, mas é apenas o coro gospel e as incríveis notas de apitos de MC que chamam a atenção na gravação.

É seguro dizer que você consegue identificar quando é uma música de Mariah Carey que está tocando na rádio, mas isso não quer dizer que suas músicas sejam datadas, muito pelo contrário. No entanto, as canções “Someday”, “You Need Me” e “Sent From Up Above” possuem sonoridade característica dos anos 80, pois soam como algo retrô.

A única canção que poderíamos dizer que é bem diferente é “Prisoner” – a canção menos Mariah Carey do álbum. Ela se encaixaria fácil em um disco antigo de Paula Abdul, e alguém de sua gravadora provavelmente achou isto seria algo bem legal e atual, mas não foi. Mesmo na época, a música poderia ter sido um hit esmagador, mesmo
que naquela época Mariah ainda não poderia usar roupas grudadas ou andar em pôneis coloridos em seus vídeos. No entanto, isto foi apenas uma pequena prova da Mariah que temos nos dias de hoje ali presente – a referência ao rap. Que foi algo que ela aprimorou com o passar dos anos, e fez com maestria em ‘Don’t Forget About Us” em 2005. O rap de “Prisoner” pode parecer ridículo – mas é provavelmente um dos destaques do álbum.

Mas no meio disto tudo, nós temos “Vanishing”, uma canção que fala por si só, que está isolada no meio do catálogo antigo de Mariah. A música é apenas o piano ao lado da  voz poderosa de Carey que sem dúvida alguma estava no seu auge. Muitas pessoas consideram esta gravação como um dos maiores destaques de toda sua carreira, e deixam para lá este álbum. Ela é melancólia, profunda e dolorosamente honesta.

Este álbum não tem somente todas as influencias musicas que Mariah usaria em suas futuras gravações (e ainda tem gente que diz que gostaria que Mariah fosse “R&B” desde o começo, mas acho que eles não tem ideia do que realmente estão falando). Ela também deixou um legado muito mais amplo na história da música, e vemos este impacto no cenário atual.

Quando jovens estão ingressando no cenário musical, eles são frequentemente perguntados que são suas influências musicais, quem eles cresceram ouvindo e quem eles gostariam de ser. A maioria dos artistas caem em dois campos oposto, que felizmente possuem harmonia comercial: Eles querem ser como a Madonna e Mariah Carey, somente elas. Invariavelmente, você pergunta: “Que tipo de artista você quer ser?” – e então a resposta é binária: você quer ser uma estrela do pop e uma grande vocalista.

Seja para o bem ou para o mal, o disco de estreia de Mariah Carey mudou completamente a forma que artistas iniciantes podem se posicionar e soar. O disco é incrivelmente definido de como você pode ser uma grande vocalista, exibindo todo um estilo melismático e as notas agudas, algo que tornou-se a sua marca registrada, além da grande capacidade de ir para as notas mais graves e conseguir subir para as notas mais altas num piscar de olhos.

Enquanto estavam crescendo, aquelas meninas que se tornariam relevantes nos anos seguintes na música ficavam imitando Mariah Carey em seus quartos, e tentando recriar aquele som único. É difícil imaginar um mundo com Christina Aguilera, Jessica Simpson, Beyoncé ou Leona Lewis senão tivesse existido uma Mariah Carey. Na verdade, a própria Beyoncé creditou ‘Vision Of Love’ como a canção que realmente a incentivou a querer cantar quando ainda era uma criança.

Embora isto tenha sido para o bem, as famosas ginásticas vocais de Mariah Carey fez uma infinidade de artistas em excesso tentarem copiar esta técnica e usando vocais desnecessários em gravações ruins e não acrescentando nada para as suas canções, diferente do que Mariah fez e ainda faz. Infelizmente, isso levou as pessoas concluírem que Mariah era a culpada por tudo isto. No entanto, Mariah é apenas a mestre de todos aqueles que tentaram seguir seus passos. Não podemos culpar um incrível professor pelas tentativas frustradas de seus alunos – e então vamos enfrentá-lo, todos nós somos culpados por tentar imitá-la fazendo aquelas notas inalcançáveis de ‘Vision Of Love’ depois de tomarmos vários copos de champanhe.

Mas a sua influência não é somente copiável, ela também pode ser sentida. Em seu álbum de estréia, ela também exibe o seu lado mais sensual. Em “I Don’t Wanna Cry”, Mariah é sexy e profunda, até mesmo sussurando bem próximo do microfone, sendo naturalmente sensual – um estilo que muitas vezes tem sido imitado pelas novatas, mas raramente duplicado.

Além de seus vocais, este álbum tem um legado maior, que vai muito além do poder de persuasão entre estas aspirantes a vocalistas. Sem Mariah, a produção musical das duas últimas gerações de cantoras seria completamente diferente.

Mariah chegou no cenário musical onde a questão racial era maior na sociedade em geral do que na música, ela secretamente foi vendida como uma ‘branca que cantava música negra’, e fez com que toda América tornasse este som comercial e popular. Ela fez isto de uma forma rápida e inteligente (juntando um pouco de rappers aqui, uns toques gospel ali e vocais angelicais), mas mesmo que ela não tenha aberto todas as portas de uma vez só, ela deixou entreaberta.

Ela mostrou que isto estava mais explícito quando realmente resolveu chutar o pau da barraca: Quando Mariah tornou-se uma artista mais urbana, todas as outras também tentaram ser, mudando conforme lançavam um disco após Mariah, até mesmo Janet Jackson e Whitney Houston. Sem esta inclusão gradual nas sala de estar nos americanos é improvável que muitos artistas como Mary J. Blige teriam alcançado fama e feito o cross-over de sucesso com tanta velocidade como fizeram.

Embora seus atuais singles não estejam definindo de certa forma o cenário musical de sucesso do momento, os efeitos e reflexos de todas as suas gravações ainda estão presentes e atuais em todos os lançamentos de artistas como Rihanna, Ariana Grande, Jennifer Hudson e até mesmo Iggy Azalea.

Fonte: So So Gay

A revista LGBT So So Gay, fez um review sobre o novo álbum de Mariah Carey, a coletânea “#1 To Infinity”. Confira abaixo:

As coletâneas dos artistas são sempre questionáveis pelos fãs, já que sempre vai ter gente reclamando coisas do tipo “não acredito que você não incluiu as músicas X,Y ou Z”. Por outro lado, quando já se tem toda a discografia do artista, pode ser que não haja interesse em comprar a coletânea. Certamente para alguém da posição de Mariah – que tem sido fantástica em torno das paradas musicais do mundo desde 1990 – ela tem muito material para escolher – cerca de 62 singles oficiais, na verdade. Pensando nisso, é um pouco decepcionante que Mariah decidiu lançar um álbum de compilação que é efetivamente apenas feito de #1, além de ser uma versão atualizada.

Pode ser uma reformulação intencional, já que vem com o uso de “#1” no título e a arte da capa semelhante, mas isso não o torna menos decepcionante. Pelo menos a primeira coletânea de Mariah veio junto com quatro novas faixas; #1 to Infinity” tem apenas o novo single ‘”nfinity”. Para torná-lo um álbum que valesse mais a pena, ela poderia ter dado uma olhada na carreira da saudosa Whitney Houston, e incluido um segundo disco cheio de remixes de seus maiores sucessos.

Sim, o álbum destaca apenas o quão fenomenalmente talentosa é a artista feminina que mais vendeu discos, mas além de “Infinity”, esta última coletânea é um esforço bastante medíocre e sem sentido – tão grande quanto todas essas músicas são. Centrar-se (novamente) nos maiores sucessos musicais de Mariah Carey pode ter sido a mais sensata das decisões, no entanto, como um esforço criativo chega a ser sem inspiração alguma. A ordenação cronológica trabalha em favor do material, mas é o melhor que pode ser dito sobre esta compilação.

Limitado por seu próprio conceito, o álbum não apresenta nada de novo para quem já está escolado na discografia de Mariah. Com os recentes singles lutando para replicar seus dias de glória da década de 90, e até certo ponto em meados dos anos 2000, isso significa que três álbuns inteiros de Mariah não conseguiram um espaço nessa coletânea: o esquecido “Charmbracelet”, o subestimado “Memoirs Of An Imperfect Angel” e o recém despercebido “Me. I Am Mariah…The Elusive Chanteuse”. Sua música pode não ser o que está bombando atualmente com o público em geral inconstante, mas seu material tem uma infinidade de momentos interessantes que poderiam ser agrupadas em algo mais inventivo do que o álbum apresenta.

De muitas maneiras esse é um álbum frustrante já que um novo álbum de Mariah é sempre uma coisa boa, então “#1 To Infinity” merece uma nota cinco (num total de cinco), mas talvez uma (generosa nota) ‘três’ para o seu conceito, tendo em conta a existência da indiscutivelmente superior coletânea “#1’s”. Nosso conselho controverso seria o de poupar o seu dinheiro nesta compilação e ir comprar uma cópia de seu último álbum de estúdio ao invés disso, que foi um álbum muito mais interessante e merecia maior sucesso comercial do que foi alcançado.

4/5 estrelas

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