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O violinista do Arcade Fire e indicado ao Oscar, Owen Pallet fala sobre duas faixas atuais que ele vê como canções que não conseguimos tirar de nossa cabeça.

As sentenças mais frustrante para criticar uma música pop são: “embalada de ganchos”, “não consigo tirá-la da cabeça”, “ela é muito grudenta”, e assim por diante. Nenhum compositor tem culpa. A música é uma metáfora viva: o ouvinte é um peixe e a melodia é uma armadilha. Mas isto tão indefinidamente frustrante.  Mas o que faz uma música ter estes ganhos e outras não?

Call Me Maybe da Carly Rae Jepsen é fortemente a canção mais grudenta nos últimos cincos anos. Aos meus ouvidos, tudo está focado no refrão – especialmente nas pausas das silabas em palavras como  “craaaazy” e “Baaaaby”, deslizam de forma perfeita,  embelezando o trecho “Here’s my number/ So call me maybe”. Não há nada que te prenda na música do que esta brincadeira de palavras.  Esta brincadeira é usada na música no geral, ela agita a música, de forma que você não fique parado. Assim com o Teenage Dream da Katy Perry, o refrão de  Call Me Maybe usa silabas tônicas de acordo com os acordes da canção, fazendo com que fique grudento na cabeça.

Vamos para o que interessa e falar sobre o novo single de Mariah Carey. O fato sobre Mariah é o seguinte: Seus registros agudos são equivalentes à trufas negras. Você pode modifica-las da forma que for, mas ainda assim, continuaríamos pedindo mais. Podem até exaltar qualquer material mais comum, mas seu novo single, “You Don’t Know What To Do“, é uma faixa bem adequada. A canção tem as fórmulas de um hit, desde a vibe Donna Summer, os fortes melismas…até mesmo o rapper convidado, Wale, soa como se eles tivessem se “divertido o suficiente“, ao invés do muito usado “demais“. E o mais importante: a música tem uma pegada grandiosa.

Primeiro, o refrão tem uma incongruência surpresa, assim como a rima “Crazy“ e “Maybe“, de Carly Rae Jepsen: o jeito que Mariah usa a palavra “What“.“Know What“ é comprimido em um único ditongo – “You Don’t Know It / to do“. Mariah enfia essas palavras “guela a baixo“, cada vez que elas tentam escapar de seus lábios. Se esse não fosse o título da música, nós saberíamos do que ela está falando?.

Segundo – e isso é mais difícil de descrever – a qualidade de um bom gancho, muitas vezes não é medida em características intrínsecas de uma melodia, mas o contexto em que ela aparece. Uma melodia terrivelmente cativante como de Ylvis The Fox, poderia tornar-se fatalmente chata, se não tivesse um corte eficaz, um contrapeso. “You Don’t Know It/to do“, fala por si só, e se torna tão agradável quanto um alarme de carro. Mas equilibrado com habilidade, com os registros da segunda estrofe –  “First you want to leave/ Then you never go” – esse alarme de carro se torna em uma perfeição das pistas de dança, que o público não cansa de cantar junto.

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