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RIO – A técnica do falsete caiu na boca do povo — ao menos da internet — nas últimas semanas. O motivo? Uma menina de 8 anos. MC Melody, que canta funk e cujo pai, MC Belinho, também trabalha no ramo postou, de agosto para cá, cinco vídeos citando a técnica. O conteúdo soma 1,3 milhões de visualizações no YouTube e gerou, em alguns casos, motivo para piada.

É que, conforme explica Belinho no vídeo “Desafio da Christina Aguilera”, postado ainda em agosto e com mais de 400 mil visualizações, a menina executa notas altas sem “masterização por trás”. Os quatro segundos em que ela reproduz um hiperagudo da música “Pero me acuerdo de ti” foram suficientes para gerar memes e eventos falsos no Facebook, como “Aula de falsete com a Melody”.

— A gente não liga para essas piadas, pois é brincadeira. Sabemos que a maioria das pessoas gosta da Melody. A gente não pode nem mais ir ao shopping ou ao Parque Ibirapuera sem ela atrair centenas de pessoas — afirma Belinho, ressaltando que não é professor mas ensina algumas técnicas para a filha desde que ela tinha 2 anos.

Inspirado no título de um dos vídeos de Melody, em que a menina se diz “a rainha do falsete” ao lado da cantora Déborah Moreira, O GLOBO pediu que músicos e preparadores vocais elegessem expoentes dos agudos, já que a definição de falsete é controversa. Confira:

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ORIGEM EM VOZES MASCULINAS

Apesar de Melody e Belinho citarem o uso da técnica nos vídeos, não é consenso, entre músicos e especialistas consultados pelo GLOBO, se o falsete pode ser usado tanto para registros masculinos quanto femininos. A técnica, com origem na palavra italiana falsetto, era inicialmente usada por homens na simulação de vozes tipicamente femininas, ainda na Idade Média.

— Anatomicamente, o falsete se configura um alongamento da corda vocal. Somente uma avaliação através da percepção auditiva ou de um exame de nasovideolaringoscopia pode dizer se fisiologicamente um falsete está sendo executado, em homens ou em mulheres. Existem ainda os superagudos que chamamos de “emissões de apito”, pelas quais a Mariah Carey ficou conhecida — explica a fonoaudióloga e preparadora vocal Valeria Leal. — Acho que o falsete deve ser visto como um ornamento artístico, e não como uma ginástica vocal no sentido de dizer “olha o que eu sei fazer”.

No Estúdio Voce, sua diretora, Mirna Rubim, e a coordenadora de Fonoaudiologia, Luciana Oliveira, tiveram que recorrer à literatura acadêmica e a muita conversa para chegar a um consenso para a definição de falsete.

— Quando um falsete é treinado, ganha técnica, o aspecto fisiológico muda e ele se torna o que chamamos de voz de cabeça. Isso acontece tanto com homens quanto com mulheres. Nas crianças, a laringe ainda está em formação, então se torna mais flexível para o canto. Justamente por isso, fazer hiperagudos de forma repetitiva pode fazer mal para o sistema fonatório— ressalta Luciana.

CANTORES CONTAM SUAS HISTÓRIAS

Segundo o cantor de heavy metal Andre Matos, conhecido por seus agudos, o rock criou uma espécie de nova técnica, que vai além das clássicas “voz de cabeça” e “voz de peito”.

— No final da década de 1960, bandas como The Who começaram a transformar músicas de rock em algo mais agressivo, menos romântico. Isso pede uma voz mais agressiva, e para isso o falsete não basta. Então surgiu algo como um falsete impostado, um berro afinado, com projeção de voz maior. Não tenho vergonha em admitir que no começo da minha carreira, fazer esses hiperagudos era muito difícil — conta.

O cantor Jorge Vercillo, cujos falsetes também chamam a atenção, conta a influência da técnica na sua carreira.

— O Milton Nascimento é o primeiro que me vem a cabeça com falsetes super poderosos que marcaram a vida de quem gosta de MPB. Ele tem melodias lindas feitas no falsete, como “San Vicente” e “Nascente”, do Flávio Venturini, que ele gravou. Aliás, o Flávio para mim é outro rei do falsete. Os dois me inspiraram muito a usar a técnica em “Fênix” — escreveu Vercillo, por email. — Incorporei o falsete no início da carreira. As pessoas comentam que o volume do meu falsete é muito alto, é quase igual à voz plena, e isso me ajuda muito. Mas isso aconteceu de uma forma inesperada: comecei a usar, nos improvisos, ele começou a soar bonito e eu comecei a usar cada vez mais.

Fonte: O Globo
Colaborou: Guto

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