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Mariah Carey fez exatamente a entrada que você esperaria que a diva que mais vendeu discos na história faria, ou seja, ela estava deitada com uma roupa brilhante em uma espreguiçadeira onde foi levada por seus bailarinos musculosos até o meio do palco. Ela estava assim quando cantou um remix de seu mega hit “Fantasy”, um de seus 18 singles em 1° lugar.

Uma atmosfera vertiginosa varreu a O2 Arena, como se Mariah fosse uma orquídea muito cheirosa. Os fãs estavam filmando tudo o que ela fazia, até mesmo quando alguém bloqueava a visão deles. Em “Emotions”, outro hit número 1 dela, ela mostrou a sua marca registrada, seu registro de apito, com aquela famosa e icônica cena dela colocando a mão na orelha, fechando os olhos e a sua voz ia aumentando até o limite que o sistema auditivo humano pode perceber. A função evolutiva não era clara – era advertir a tribo de perigo? Atrair parceiros? Ou  deixar eles inimitados – mas a reação na O2 era a melhor. Cada vez que ela atingia o registro de apito, aquela multidão ia a loucura.

Tudo isto foi muito divertio – mas havia um problema. A encanação parecia ter sido concebida para sua residência de Las Vegas, que Mariah Carey começou no ano passado e deve continuar até setembro deste ano. O Caesars Palace, onde ela faz a residência, é cerca de um quinto menor que a O2 Arena, então lá é ótimo ela somente subir ao palco e canta maravilhosamente bem de forma elaborada, mas o show fora de lá é necessário ter alguma expansão. Não haviam imagens ao vivos nas tvs de quem estavam sentados longes da deusa. E os dançarinos foram impressionantes, mas haviam apenas seis deles. A chaise longue imperial usada no inicio acabou sendo a única inovação no palco.

Pelo menos, como na residência em Las Vegas, Mariah manteve a sua voz em boa forma. Em boa parte de seus números na residência #1 To Infinity, as músicas encontraram bom dinamismo com sua voz e com o apoio de seus três backing vocais, que fazem o trabalho pesado. Carey estava sob os holofotes, mas a sua vocalização não era mero exibicionismo. Mas as emoções extravagantes em seus canções exigem um canto extravagante, como mostrado pela forma que ela cantou a sua balada “Hero”, que foi acompanhada por piano e a sua voz parecia até uma elevação ao evangelho.

Sua banda de apoio, liderada pelo veterano “Big” Jim Wright no piano de cauda, estava impecável, desde as canções old-school de R&B, os números de hip-hop e a sequência de baladas emotivas. Este último set não teve aquelas orquestrações da Broadway que tem nas versões originais dos cds. Mas durante os 90 minutos do espetáculo, a experiência não foi tão esplêndida como você esperaria de uma uma das maiores divas de todos os tempos.

Fonte: Financial Times

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