Mariah Now é a sua maior fonte brasileira sobre a Mariah Carey. O site é totalmente dedicado para os fãs da Mariah. Acompanhe notícias, vídeos, entrevistas, participe de promoções e eventos. Todo conteúdo divulgado no site é criado ou editado por membros da equipe, qualquer conteúdo retirado daqui, mantenha seus devidos créditos. Somos apoiados pela Universal Music Brasil e pela Sony Music Brasil.

Todo mundo quer atingir os números de Mariah Carey, mas a questão é, qual deles? Será que são os mais de 200 milhões de discos vendidos durante sua lendária carreira? Ou talvez sejam as 18 músicas no topo das paradas, dessas 18, 17 foram escritas por ela. Ou talvez seja as vezes que ela foi capa da nossa revista. Em sua segunda vez na capa, a maior estrela da música convidou o Stephan Gan da V  Magazine para um copo de vinho e para sobre o seu retorno  em estúdio com a Roc Nation, e o poder da composição e a interseção do pop e hip-hop.


Stephen Gan: Eu ouvi dizer que você está de volta ao estúdio!

Mariah Carey: Estou em estúdio iniciando um projeto de um novo álbum de músicas  regulares.

SG: Músicas regulares?

MC: Significa que não é um álbum natalino [risos]. Eu estou meio que reiniciando, e agora estou trabalhando com a Roc Nation, o que é ótimo. Eu tive uma reunião realmente incrível, um encontro de mentes com o – com Jay Brown, Jay-Z e Tata [Tyran Smith], que são pessoas incríveis. Todos nós apenas jogamos algumas ideias, então começamos do lugar musical ao invés de perguntar ‘qual é o gancho?’. Assim que deve ser feito.

SG: Como alguém como você se junta à Roc Nation e se filia com Jay-Z? Como a conversa acontece, “Vamos voltar no estúdio de gravação?”, Isso é tudo apenas orgânico?

MC: Bem, a primeira vez que trabalhei com Jay [-Z] foi para o álbum Rainbow, na música “Heartbreaker.” Estávamos no restaurante Sr. Chow’s em Nova York – isso é antes de todo mundo no mundo saber quem ele era. Mas nós, amantes do hip-hop, já sabíamos quem ele era, e ficamos maravilhados com ele, seu talento, de onde ele veio, toda a história e tudo. Então conversamos naquela noite e acabamos colaborando. Eu fiz algo por ele uma vez, e depois falamos sobre ele  está fazendo isso por mim, então foi a primeira vez que trabalhamos juntos. Nós apenas temos uma história como amigos e como colaboradores, então é uma espécie de coisa que já foi estabelecida. Agora, que  eu conheço Jay Brown, tudo ficou muito melhor, sempre soube quem ele era e realmente o respeitava e admirava tanto. A maneira como ele faz negócios é simplesmente inspiradora, sabe o que quero dizer? Como, eles realmente fizeram um trabalho incrível juntos, ele e Jay. E ambos são chamados de Jay [risos]. Então, estamos indo para frente e para trás com compositores diferentes, idéias diferentes. Quando eu digo compositores, quero dizer co-compositores, porque eu sou a compositora principal do projeto.

SG: Claro. O que você quer que as pessoas saibam sobre sua composição?

MC: É algo que eu acho que muitas pessoas não dão crédito suficiente para as mulheres, a menos que sejam conhecidas visualmente como alguém tocando um violão, ou estão atrás de um piano a maior parte do tempo. Eu também tenho essa coisa diva apegada a mim; Quero dizer, estou sentado aqui fazendo uma entrevista usando lingerie. Mas eu estava pensando…. você vai entender que isso é o que eu vou usar! Por que eu deveria usar algo desconfortável para agradar alguém? Isto é o que eu gosto e pronto.

SG: Como foi o processo em trabalhar em músicas novas?

MC: Eu já estive no estúdio no ano passado e no ano anterior, apenas brincando e fazendo alguma música, algumas outras coisas. Eu não quero revelar sobre pessoas com quem estou trabalhando, mas há uma abordagem diferente que eu estou tomando como artista. Eu acho que é como um novo começo para mim. Muitas pessoas vêem essa outra imagem. Eles vêem essa diva; Eles vêem cabelo, maquiagem, , roupas, seja lá o que for – e gestos de mão [risos] – e eles se apegam a isto. Eles não pensam que sou compositora. Mas eu olho para mim como compositora primeiro plano, e depois uma cantora. Isso é o que eu amo fazer mais.

SG: Como você se sente o, “Ok, agora é a hora de atacar, agora é a hora de gravar, agora é a hora de criar, agora é hora de preparar?”

MC: Antes eu estava em um lugar diferente em termos de que estava trabalhando com uma pessoa que me fazia trabalhar o lado comercial das coisas, e isto é tudo. A coisa toda no show-bizz, é que realmente eu me considero muito mais uma artista musical do que uma celebridade em primeiro plano, e não necessariamente as coisas funcionam dessa maneira, A música vem em primeiro plano para mim, é a coisa mais importante da minha carreira. É por isso que acho que não houve sinergia de, ‘Oh meu Deus, vamos fazer esse momento de moda com Mariah’. Quero dizer, apenas certas pessoas conseguem isso. É por isso que amamos muito Karl [Lagerfeld]. Eu acho que ele meio que obtém o elemento kitsch  [risos]. Certas pessoas conseguem isso: “Deixe que ela venha e fique louca e se divirta, vamos fazer algumas fotos bonitos, e é o que é isso.” No negócio da música, se você se preocupa com os Grammys e enviando suas coisas antes de um certo período de tempo, você quer um lançar algo no verão, e em seguida você quer que seu álbum sai antes do prazo do Grammy, e para mim isto não significa nada. Francamente, dahhling, eu realmente não me importo. Quero dizer, eu tenho  cinco prêmios Grammys, que bonitinho, não? Existem pessoas que tem menos de carreira do que eu e possuem o dobro de Grammys que eu tenho. Ganhei meus dois primeiros Grammys logo no inicio da minha carreira, mas depois disso comecei a ser esnobada por lá, eles pensavam: ‘Não vamos dar um prêmio para essa pessoa que está vendendo muito e tem muita popularidade, vamos ao caminho oposto, premiar quem ainda não é popular”. Então, eu fui boicotada por vários anos. Eu não estava sendo amarga em falar isto. Eu estava bem, com os pés no chão e cantando, lidando com isto da melhor maneira, sendo eu mesma.

SG: Sim! Você realmente está sendo honesta com esse depoimento

MC: Sim, diga-me a verdade. Se você me ver andando por aí algum dia com uma roupa estranha, suspensórios, calças largas, sutiã de néon, ternos, cabelos verde e usando botas, você pensaria assim, ‘que merda é essa que ela está usando?’, no entanto, se alguém o fizesse isso, seria como, ‘Oh meu Deus, que gênio, como ela é maravilhosa.’ [Risos.] Não estou tentando me divertir com a maneira que alguém me analisa. Pessoalmente, eu não ligo, gosto do que gosto. Então eu sinto que se eu pintasse o cabelo de rosa, as pessoas iriam estranhar, mas se eu gostasse, não ligaria. Eu realmente gosto do meu cabelo. Sempre manterei os tons de loiro, claro ou escuro, mas jamais mudarei drasticamente a cor dele.

SG: Você está muito focada com o que você quer e o que acha que funciona para você. Isso é uma coisa boa. Eu acho que você está constantemente esculpindo e formando a imagem de  ser da Mariah, e isto é inabalável. Isso é realmente louvável: as pessoas aparecem e somem, as modas entram e saem, mas você tem o poder, e está fazendo o seu bem, mantendo-se fiel. Isso é muito raro neste meio.

MC: Muito obrigada, me senti lisonjeada.

SG: O Karl descreve você como alguém muito genuína e sincera. Se talvez se você não tivesse toda essa honestidade, você não teria tocado a vida das pessoas como você fez.

MC: Bom, é como eu sinto. Mas a verdade é que a maioria das pessoas me conhecem mais pelas minhas músicas conhecidas. Ou, talvez, quando eles passaram por uma certa experiência e ouviram uma música minha na rádio que os afetou de maneira específica. As pessoas aparecem e mostram as tatuagens que eles fizeram com as minhas músicas, uma pessoa tatuou uma parte inteira de seu corpo com uma música minha chamada “Side Effects”, um dueto que fiz com Young Jezzy e foi produzida pelo Scott Storch no meu álbum E=MC² . Isto é surpreendente, porque eu nunca lancei esta música como single. Você realmente pode procurar online as diferentes tatuagens dos meus fãs. Esse é o maior elogio que eu posso ter, eles realmente tatuaram as letras que escrevi em seu corpo.

SG: O Fandom mudou muito ao longo dos anos.

MC: Está tudo completamente diferente de quando eu comecei quando jovem. Antigamente, era tudo sobre que tocava no rádio. Eu lembro da primeira experiência que tive quando ouvi a minha música pela primeira vez na rádio, eu não podia acreditar naquilo. Vivi essa experiência e não trocaria por nada. Lembro de escrever “Fantasy” e vê-la evoluir, e ser capaz de conseguir colocar o Ol ‘Dirty Bastard na minha música. Agora, eu vejo as pessoas cantando “Me and Mariah,”, imitando o ODB e falando para mim, ‘Nossa, como é inovador um artista pop ter trabalhado com rappers naquela época’, e eu fico pensando, ‘Você tá falando sério? Você sabe quanta merda eu tive que passar para gravar com alguém do hip-hop?”. Não foi feito porque eu achei era legal. Sim, é legal de se ouvir, mas eu não fiz pensando em tentar fazer algo diferente do que eu fazia ou inovador, mas sim para fazer algo que eu não podia fazer. Agora, é tudo sobre os dois gêneros juntos. Naquela época, a categoria de rappers tinha acabado de começar.

SG: Tem algo que você gostaria de passar para a nova geração?

MC: Que eles não dividam as pessoas por categorias, porque quando eu ainda era criança, eu achava que nunca iria esquecer como foi ser uma criança incompreendida. Sério! Porque eu sou birracial, é uma coisa que muitos de meus fãs, de todas as idade e origens diferentes – tendem a falar sobre mim. Eles são como a minha música, que me ajudaram a superar isso. Muitas pessoas falaram para mim que eu ajudei eles saírem do armário para seus pais com a música “Outside” do meu álbum Butterfly, esta canção descreve o sentimento de ser diferente dos outros e não ser compreendido por isto. Crescendo, eu não tinha aquele ídolo no qual eu pudesse me inspirar, assim
como eu sou para eles. Então, era uma combinação de diferentes pessoas que me inspiraram. Eu só tinha que sair disso. Mas acho que há pessoas e certas músicas que fiz, que são músicas obscuras de meus álbuns, que ajudaram os meus fãs e o grande público não conhece. Mas a Lambily (a família de Lambs”, o nome que Mariah Carey dá para seus fãs) conhecem e essas músicas ajudaram a me proteger. O que eu ten fazer é criar músicas com as quais as outras pessoas se relacionam também.

SG: Que jovens artistas te inspiram?

MC: Bem, Childish Gambino, eu gosto de muitas pessoas que você jamais poderia imaginar quem são. Desde que eu era pequena, eu só consigo gostar de artistas que ouço no rádio. Eu pegava o rádio da cozinha e escutava deitada na minha cama. Essa é a única coisa quem fazia dormir, ouvir música, eu ficava adormecida ouvindo música. Perdemos muitas pessoas lendárias nos últimos anos, George Michael, Prince e tantas outras pessoas que sentimos falta. Mas ainda existem muitas pessoas talentosas por aí. Eu também adoro a Kierra Sheard, uma artista gospel e filha da Karen Clark Sheard, ela tem algo me inspira. Mas também tem jovem rapper que eu conheço de outro país,que eu fico de boca aberta. Você tem que manter uma mente aberta. Ter uma chance de ser ouvida é quase difícil, porque antes as pessoas pensavam assim: “você uma música de sucesso? Se você tem uma música no rádio, você está lá. Mas agora, você nunca sabe o que vai ouvir de um dia para o outro, o que é ótimo, mas acho que isso também torna a vida do artista mais curta, talvez, mas eu posso estar errada.

SG: Você parece tão feliz agora.

MC: Realmente?

SG: Sim.

MC: Aw, isso é bom! Cheguei a um lugar onde eu poderia passar para a próxima coisa e a próxima. Eu tive que superar muita coisa no ano passado e essas são coisas que eu pessoalmente não quero falar, mas estamos aqui agora, então é bom.

  • Confira fotos (em HQ) desse ensaio na nossa galeria!

Deixe sua opinião

Este artigo não possui comentários
Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.